Esgoto cresce em praias do Litoral na temporada

Esgoto cresce em praias do Litoral na temporada

O aumento acontece em decorrência da grande quantidade de turistas que visitam as cidades

Bandeira vermelha na Praia do Itaguá classificada como não balneável pela CETESB (Foto: Maria Isabel)

Com a chegada da temporada, as praias são os destinos mais procurados pelos viajantes nas férias de fim de ano. A invasão de turistas aquece o comércio da cidade, mas na sua esteira aumenta poluição das praias.

Um dos problemas diz respeito ao fato de que boa parte das residências nas cidades litorâneas não tem ligação com a rede de esgoto da Sabesp, o que provoca a liberação desse tipo de material sem qualquer tratamento nos rios e córregos que desembocam nas praias.

Um exemplo desse cenário ocorre em Ubatuba,  que segundo uma estimativa do IBGE 2017 possui 88.313 moradores, mas na temporada chega muitas vezes a dobrar a quantidade de pessoas. O resultado é a classificação de algumas praias pela CETESB como não balneáveis, ou seja, com bandeira vermelha. Na semana do dia 30/10, Picinguaba, Itaguá, Santa Rita, Perequê-Mirim e Lázaro foram consideradas impróprias pelo órgão.

Segundo Antônio Augusto de Oliveira Neto, presidente da Amigos na Preservação, Proteção e Respeito a Ubatuba (APPRU), são poucas as praias da Cidade que contém a rede coletora da Sabesp. Praticamente só a região central da cidade é contemplada: os bairros do Centro, Sumaré, Silop (bairros centrais), e as praias do Tenório, Toninhas e Praia Grande –  esta última também se utiliza de um sistema feito por uma cooperativa.

Neto também explica que nos bairros do Perequê-Açu e Itaguá, que na última temporada ficou 83,3% do tempo imprópria para uso, existe a possibilidade de tratamento. “Há disponibilidade do tratamento do esgoto, a rede passa em frente as casas, mas os moradores não fazem a ligação”.

Outra questão é que a Sabesp somente faz um tratamento secundário no esgoto nesses bairros e praias que contém a rede coletora. Isso quer dizer que só são tratados os coliformes fecais. O correto seria uma intervenção terciária, que inclui o processamento de produtos como shampoo, detergente, sabonete e outros  que produzem uma grande quantidade de nitrogênio e fósforo.

Luciano Alves dos Anjos, professor de Biologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que este esgoto, com tratamento secundário – ou sem nenhum tratamento – é liberado primeiro nos rios, causando sua morte através da eutrofização, que é a liberação excessiva de alguns nutrientes, como nitrogênio e fósforo, fazendo com que as algas que se alimentam desses nutrientes, se multipliquem. Dessa forma, estas algas consomem oxigênio excessivamente, matando os animais que vivem lá.

Depois, quando esta água com esgoto não tratado e sem oxigênio é liberada no mar, acaba prejudicando tanto os seres humanos que se utilizam da praia como dos animais que vivem lá. Para as pessoas, o esgoto não tratado pode trazer doenças de pele, causadas por fungo, até diarreia em crianças e adultos, devido às bactérias que existem neste meio.

Para a vida marinha, principalmente aquela que vive perto de onde é realizada a liberação do esgoto, a possibilidade dos animais contraírem doenças e morrerem é grande, já que esses bichos se alimentam dos nutrientes e dos coliformes fecais despejados.

Segundo Luciano, praticamente todos os animais sensíveis à poluição são afetados, como por exemplo os peixes comerciais utilizados para o consumo humano. “A tainha, o robalo, a garoupa e o paraty. Todos esses peixes podem ser afetados”, explica.

O professor explica ainda que o consumo de camarão também afeta a população. Os camarões se alimentam de detritos, restos orgânicos e inorgânicos, sendo beneficiados com esse esgoto. Mas os animais que vivem em áreas poluídas, se alimentam desses dejetos do esgoto não tratado, acumulando na sua carapaça ou carne vários agentes químicos nocivos aos seres humanos que irão pescá-los e consumi-los.

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