Livro Holocausto brasileiro é debatido no litoral

Livro Holocausto brasileiro é debatido no litoral

O livro foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte em 2013 e premio Jabuti em 2014

Daniela Arbex palestrando em Caraguatatuba (Foto: JC Curtis Fernandes )

O livro Holocausto brasileiro foi eleito melhor Livro-Reportagem do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 2013,  e segundo melhor Livro-Reportagem no prêmio Jabuti, em 2014. O livro, que também virou documentário, foi tema da palestra “Bate papo com o escritor”.

Daniela vendeu e autografou livros de seus fãs (Foto: JC Curtis Fernandes )

Daniela Arbex , autora do livro, apresentou a discussão sobre a obra em  Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, em parceria com o Viagem Literária, um projeto que organiza palestras e oficinas de grandes escritores e obras brasileiras.

No livro, ela relata o processo de investigação que sucedeu após ter em mãos fotos e documentos que mostravam as péssimas condições e torturas que os pacientes mandados para lá, com justificativa de serem doentes mentais, sofriam. Originalmente, o trabalho foi fruto de uma reportagem investigativa publicada em 2011, no jornal Tribuna de Minas, do qual Daniela é jornalista há 21 anos.

“Ao todo, o massacre matou em torno de 60 mil pessoas”, explica a autora. Além de doentes mentais, negros, garotas que foram violadas sexualmente, deficientes físicos, crianças que nasceram fora do casamento e muitas outras pessoas que eram excluídos da sociedade por algum motivo, acabaram morrendo durante o período de internação.

O hospital, localizado em Barbacena, Minas Gerais, chegou a ser comparado aos campos de concentração nazistas. “Não havia estrutura para atender tamanha demanda de pacientes, não havia profissionais capacitados o suficiente e materiais de uso médico”, afirma Daniela.

Através do livro, ex-pacientes sobreviventes do “holocausto” tiveram voz pela primeira vez. Contaram abertamente tudo o que passaram, o porquê de terem sido mandados para lá, como estão suas vidas atualmente e ex-funcionários também foram ouvidos. Um documentário foi produzido a partir das histórias do livro e nele há outros personagens e novos relatos emocionantes. Reencontros e testemunhas são parte de um conjunto de histórias que comovem. “Ainda hoje sou procurada por famílias de ex-pacientes, sobreviventes e testemunhas que me relatam histórias daquele período”.

Para encerrar, Daniela deu espaço a perguntas dos presentes, tirou dúvidas e debateu sobre como a sociedade mudou em alguns aspectos e regrediu em outros. “As pessoas descriminadas naquela época por motivos banais, continuam sendo excluídas socialmente. Espero que meu trabalho mostre não só ao país, mas ao mundo, que não devemos repetir os mesmos erros do passado”, afirma Daniela. A obra teve 150 mil exemplares vendidos no Brasil e em Portugal e o documentário foi exibido em 20 países.

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