Destaque-Meio Ambiente

O aumento acontece em decorrência da grande quantidade de turistas que visitam as cidades

Bandeira vermelha na Praia do Itaguá classificada como não balneável pela CETESB (Foto: Maria Isabel)

Com a chegada da temporada, as praias são os destinos mais procurados pelos viajantes nas férias de fim de ano. A invasão de turistas aquece o comércio da cidade, mas na sua esteira aumenta poluição das praias.

Um dos problemas diz respeito ao fato de que boa parte das residências nas cidades litorâneas não tem ligação com a rede de esgoto da Sabesp, o que provoca a liberação desse tipo de material sem qualquer tratamento nos rios e córregos que desembocam nas praias.

Um exemplo desse cenário ocorre em Ubatuba,  que segundo uma estimativa do IBGE 2017 possui 88.313 moradores, mas na temporada chega muitas vezes a dobrar a quantidade de pessoas. O resultado é a classificação de algumas praias pela CETESB como não balneáveis, ou seja, com bandeira vermelha. Na semana do dia 30/10, Picinguaba, Itaguá, Santa Rita, Perequê-Mirim e Lázaro foram consideradas impróprias pelo órgão.

Segundo Antônio Augusto de Oliveira Neto, presidente da Amigos na Preservação, Proteção e Respeito a Ubatuba (APPRU), são poucas as praias da Cidade que contém a rede coletora da Sabesp. Praticamente só a região central da cidade é contemplada: os bairros do Centro, Sumaré, Silop (bairros centrais), e as praias do Tenório, Toninhas e Praia Grande –  esta última também se utiliza de um sistema feito por uma cooperativa.

Neto também explica que nos bairros do Perequê-Açu e Itaguá, que na última temporada ficou 83,3% do tempo imprópria para uso, existe a possibilidade de tratamento. “Há disponibilidade do tratamento do esgoto, a rede passa em frente as casas, mas os moradores não fazem a ligação”.

Outra questão é que a Sabesp somente faz um tratamento secundário no esgoto nesses bairros e praias que contém a rede coletora. Isso quer dizer que só são tratados os coliformes fecais. O correto seria uma intervenção terciária, que inclui o processamento de produtos como shampoo, detergente, sabonete e outros  que produzem uma grande quantidade de nitrogênio e fósforo.

Luciano Alves dos Anjos, professor de Biologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que este esgoto, com tratamento secundário – ou sem nenhum tratamento – é liberado primeiro nos rios, causando sua morte através da eutrofização, que é a liberação excessiva de alguns nutrientes, como nitrogênio e fósforo, fazendo com que as algas que se alimentam desses nutrientes, se multipliquem. Dessa forma, estas algas consomem oxigênio excessivamente, matando os animais que vivem lá.

Depois, quando esta água com esgoto não tratado e sem oxigênio é liberada no mar, acaba prejudicando tanto os seres humanos que se utilizam da praia como dos animais que vivem lá. Para as pessoas, o esgoto não tratado pode trazer doenças de pele, causadas por fungo, até diarreia em crianças e adultos, devido às bactérias que existem neste meio.

Para a vida marinha, principalmente aquela que vive perto de onde é realizada a liberação do esgoto, a possibilidade dos animais contraírem doenças e morrerem é grande, já que esses bichos se alimentam dos nutrientes e dos coliformes fecais despejados.

Segundo Luciano, praticamente todos os animais sensíveis à poluição são afetados, como por exemplo os peixes comerciais utilizados para o consumo humano. “A tainha, o robalo, a garoupa e o paraty. Todos esses peixes podem ser afetados”, explica.

O professor explica ainda que o consumo de camarão também afeta a população. Os camarões se alimentam de detritos, restos orgânicos e inorgânicos, sendo beneficiados com esse esgoto. Mas os animais que vivem em áreas poluídas, se alimentam desses dejetos do esgoto não tratado, acumulando na sua carapaça ou carne vários agentes químicos nocivos aos seres humanos que irão pescá-los e consumi-los.

Obra beneficiará o sul da cidade, incluindo-se a melhoria do transporte aquaviário e pesqueiro

O rio Juqueriquerê é o único rio navegável de todo o Litoral Norte. (foto: Luiz Fernando Gava)

A redução significativa dos alagamentos nos bairros na região sul de Caraguatatuba e, posteriormente a possível implantação de um serviço de Aquabus até São Sebastião e Ilhabela são os principais resultados que deverão advir do projeto de construção de um enrocamento no rio Juqueriquerê. A conclusão da obra está prevista para o segundo semestre de 2020.​​

O projeto, apresentado à população em outubro, já foi iniciado e visa primeiramente diminuir o assoreamento e ampliar a drenagem do rio. Com a sua foz localizada no sul de Caraguatatuba, o rio tem aproximadamente 14 quilômetros de extensão, sendo a maior bacia hidrográfica da região. É o único rio navegável do Litoral Norte e responsável pela geração de empregos para mais de duas mil pessoas.

A principal ação do projeto é a construção de uma espécie de contenção maciça, composta por blocos de rochas compactadas, com a finalidade de impedir a erosão das margens e dissipar a força das ondas.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Caraguatatuba, Marcel Giorgeti, a construção feita no sentido do mar evitará o acúmulo de sedimentos à margem do rio. “É preciso realizar todo um estudo hidrológico para entender qual a posição correta, a largura necessária e a distância dessa barragem.

As margens do rio Juqueriquerê. (Fotos: Claudio Gomes)

Esses estudos detalhados auxiliarão na revitalização da obra”.

Giorgeti explica também que será adicionado um maquinário às águas do rio com propósito de coletar dados, principalmente aqueles sobre o comportamento do rio.  Uma empresa terceirizada fará simulações em um programa de computador para decidir a melhor forma de implantar o enrocamento.

A assessora da Secretaria de Serviços Públicos (Sesep), Márcia de Paula, informou que já foi solicitado um licenciamento ambiental ao DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), órgão que tem o poder outorgante sobre o rio juntamente com o Governo do Estado de São Paulo. A documentação é obrigatória para qualquer ação que possa causar danos ao meio ambiente, garantindo assim que a limpeza será feita da forma menos impactante possível. “A prefeitura está solicitando a vinda de uma escavadeira DragLine, caçamba especializada na limpeza de rios, já que este tipo de higienização não é feito no local desde 2008. Porém, semanalmente, a limpeza dos lava-pés de barco é feita pela Sesep, além da roçada das margens​” explica Márcia.

A contenção das margens do rio será feita a partir da foz do Juqueriquerê.

Em relação à possibilidade de funcionamento, no futuro, do serviço de Aquabus, o comerciante e morador do bairro Porto Novo, Luciano Siqueira, diz que “será muito bom para melhorar o turismo na região sul, já que os melhores pontos turísticos estão na região norte da cidade. Vejo isso também como uma forma de aumentar os empregos no meu bairro. Quem sabe eu não abra meu ponto de vendas aqui mesmo”. A Prefeitura planeja a vinda de uma empresa terceirizada que faça o serviço de Aquabus.

A praia foi cercada em ação promovida pelo SOS Praia da Mococa e apoio da Subprefeitura local

Funcionários de empresa terceirizada fincaram pontaletes em toda a orla da praia.

A Praia da Mococa, em Caraguatatuba, passou por um mutirão de limpeza no sábado(30 de agosto) e, em seguida, foi inteiramente cercada com pontaletes de madeira a fim de impedir o acesso de veículos na areia. A ação foi promovida pelo grupo SOS Praia da Mococa, que teve como objetivo preservar a vegetação nativa da praia e dar exclusividade aos banhistas.

Vista de cima dos pontaletes já colocados na praia (Foto: Cláudio Gomes)

Segundo o administrador da Subprefeitura da região Norte de Caraguá, Marcelo Pereira, “essa ação já era para ser realizada há muito tempo, visto que a  lei proíbe a entrada de veículos na orla da praia“. Pereira adianta que a ação prosseguirá neste sábado(8), quando serão colocadas placas de sinalização informando e alertando a população sobre a vegetação nativa que ali se encontra. Serão plantadas também 40 mudas entre plantas frutíferas e mudas de árvores nativas.

No mutirão do sábado passado, participaram 25 voluntários, além de 15 funcionários e três caminhões da subprefeitura.

O trabalho teve o apoio da Polícia Ambiental, da Secretaria de Urbanismo e de responsáveis pelo trânsito no município. A empresa que realizou a colocação dos pontaletes foi a Pioneira, que presta serviço á Prefeitura.

Polícia Ambiental e Secretaria de Urbanismo deram apoio à ação. (Foto: Patrícia Pereira)

A ação contou o apoio de comerciantes locais que forneceram gratuitamente água, refrigerantes, pães, mortadela, banana e, ainda, contribuíram com sacos de lixo para acondicionar o lixo recolhido na praia. Os colaboradores foram “Quiosque do Djalma” e “Panificadora TABAKANA”.

O custo total da ação ficou em torno de R$ 1.300,00 a 1.500,00, segundo o administrador da Subprefeitura da região Norte de Caraguá, Marcelo Pereira.

O evento, considerado o mais importante do País nessa área, será realizado nos dias 7 e 8 de outubro

Água, resíduos e mobilidade urbana serão temas de debate. (Foto: Gabriela Petarnella)

Cidades litorâneas, turísticas e dependentes uma da outra, São Sebastião e Ilhabela têm muito o que debater para melhorias na qualidade de vida, meio ambiente e economia. Esses serão alguns dos assuntos abordados no Virada Sustentável, nos dias 7 e 8 de outubro, nos dois municípios.

O evento, considerado na área como o mais importante do País, teve inicio em 2011, em São Paulo. Posteriormente, teve edições no Rio de Janeiro Porto Alegre, Manaus, Salvador, entre outras capitais. Na edição litorânea, a programação inclui rodas de conversas que irão debater questões relacionadas ao desperdício e qualidade da água, destinação de resíduos e mobilidade urbana. Paralelamente, haverá atrações como shows, oficinas interativas e apresentações artísticas que se encaixam nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU.

Esses são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Para isso, foram publicados editais para quem realiza projetos sustentáveis e culturais, assim como para aqueles  que decidiram atuar como voluntários no evento. Com o encerramento dos prazos de inscrição, registraram se 65 projetos e 113 voluntários.

Diferentemente de qualquer evento onde acontece primeiro a captação de verba para que se inicie a organização, esse começou sem apoio financeiro e estrutural. Os organizadores ainda estão em busca de apoiadores já que a programação será baseada na verba e patrocínio conseguidos, segundo Alessandra Thomazini, circense, diretora do Circo Burlesco em Ilhabela e organizadora da Virada. Ela acrescenta que as prefeituras de ambas cidades foram contatadas e se comprometeram com apoio ao evento.

De acordo com Tatiana Araujo, empreendedora social da FLOW Desenvolvimento Sustentável, o “Virada Sustentável é aberto ao público em geral, mais especificamente moradores e frequentadores de ambas cidades, com estimativa de faixa etária entre 17 e 65 anos. O evento tem como objetivo deixar como legado a ampliação de conhecimentos a partir das rodas de conversas e formar uma conexão entre as duas cidades com um bem em comum, o desenvolvimento sustentável”.

O projeto será realizado nos dias 7 e 8 de outubro, sendo dois dias em Ilhabela e dois dias em São Sebastião e terá sua programação e os locais serão divulgados nos próximos dias.

Escola estadual trabalha a educação ambiental e já conquistou premiação pelo projeto.

Alunos fazendo a coleta de lixo na praia do Porto Novo. (Foto: Arquivo pessoal da direção da escola)

A escola estadual Avelino Ferreira, de Caraguatatuba, trabalha a educação ambiental há muito tempo, mas em 2013 abraçou o projeto ‘’Juqueriquerê, o rio pede socorro’’, que conscientiza alunos a preservar e cuidar do Rio Juqueriquerê.  O Projeto teve tanto reconhecimento que já foi até premiado pelo 14º Prêmio Escola Voluntária.

A coordenadora da escola, Gisele de Souza, conta que o projeto foi ideia da ex-diretora da escola, Silva Sgarbi.  ‘’O projeto surgiu na época em que a Silvia era diretora da escola Ismael Iglesias, e certo dia,  indo trabalhar, percebeu muito lixo dentro e em volta do rio. Foi então que ela escreveu o projeto ‘Juqueriquerê, o rio pede socorro’ que tinha como seu maior objetivo a preservação deste. Houve grande envolvimento da comunidade que morava próximo a escola e também dos próprios alunos da instituição. Quando ela veio para nossa escola, trouxe com ela esse projeto’’, explica Gisele.

Alunos da escola Avelino e ONG Acaju fazendo limpezas de rios e praias. (Foto: Arquivo pessoal direção da escola)

A escola não conta com a ajuda da prefeitura da cidade para realização do projeto, mas a diretora Rosimeire Ribeiro destaca que recebe todo apoio da ONG Acaju (Associação Caiçara Juqueriquerê), que cuida da preservação e limpeza dos rios e praias de Caraguatatuba, antes mesmo da escola Avelino abraçar essa causa.

A direção da escola disse que todo bimestre são realizadas ações de limpeza do rio, ou seja, são quatro limpezas já agendadas. Quando há algum imprevisto, são necessárias mais de quatro sessões. ‘’Houve um episódio em que uma tapeçaria despejou pedaços de sofás e panos nas margens do rio e tivemos que fazer a coleta desses objetos fora das datas agendadas’’, conta a coordenadora.

Durante todo ano,  a escola consegue conciliar o projeto com as demais matérias curriculares. No final do ano letivo é realizada a gincana com todas as classes de aulas envolvidas.

Sucesso

A sucesso do projeto foi tão grande, que a escola participou do evento “14º Prêmio Escola Voluntária”, em 2014, e conquistou a 3ª colocação. Também foram premiados com um cheque no valor de dez mil reais.

Alunos da escola na premiação do evento ‘’14º Prêmio Escola Voluntária. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Rio Juqueriquerê

O Rio Juqueriquerê é o maior rio e o único navegável do Litoral Norte. Ele é formado pelo encontro dos rios Pirassununga e Camburu. Possui cerca de 13 quilômetros de extensão entre sua nascente e a foz na praia das Flexeiras, onde deságua.

O rio corta importantes bairros de Caraguatatuba como o Porto Novo, Barranco Alto e Morro do Algodão. Ele também já serviu como divisa entre Caraguatatuba e São Sebastião antes do decreto estadual transferir a divisa das duas cidades para o rio Pereque-Mirim.

Parte do local onde retiram o lixo no rio juqueriquerê. (Foto: Daniela Andrade)

Com participação de Gabriela Castro

 

Processo periódico tem como objetivo evitar alagamentos e enchentes em todas as regiões da cidade

Escavadeira em trabalho de limpeza no rio da Paca (Foto: Márcia de Paula/PMC)

No mês de abril, a prefeitura de Caraguatatuba conduziu operações de limpeza e desassoreamento de valas e rios, para evitar que áreas de risco sofram com alagamentos em enchentes durante épocas chuvosas e também para evitar que ressacas tenham efeito negativo sob a cidade.

De acordo com o Diretor de Limpeza Urbana da Secretaria de Serviços Públicos (Sesep), Gilberto Santos, as operações de limpeza de valas e rios são um trabalho contínuo e cíclico, feito periodicamente e intensificado em períodos chuvosos, principalmente por volta de março e setembro. Santos ainda afirmou que não há uma área de foco na operação em seu todo, pois a cada período há uma região que demanda mais atenção do que as demais. Ele estimou cerca de 12 a 15 valas e rios que são atendidos pelas operações da Sesep.

Segundo ele, os principais processos adotados para que a operação tenha sucesso são os de limpeza, desassoreamento e aprofundamento do leito, mas também há a utilização de outros métodos, como o de contenção de margens, variando de acordo com o que a região necessita. “É um trabalho muito importante para a cidade e essencial para evitar alagamentos e enchentes nos bairros”, disse ele.

O diretor também contou que os processos serão refeitos por volta do mês de setembro, visando um menor impacto por parte das chuvas que podem vir. “Vivemos em uma região que chove muito em pouco tempo. Precisamos estar preparados”, concluiu.

"Observando Rios em Ilhabela" é uma iniciativa do Instituto Ilhabela Sustentável para escolas públicas e privadas do município.

Crianças participam do projeto Observando Rios. (Foto: Reprodução site Ilhabela Sustentável)

Há dez anos o Instituto Ilhabela Sustentável tem colocado em prática projetos e cobrado o governo municipal para buscar melhoria da qualidade de vida dos munícipes. Em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Instituto conseguiu ganhar apoio de boa parte da população mostrando, com estudos e comprovações, que a cidade tem que assumir uma grande mudança em relação a questão de saneamento básico.

Pensando em como alertar os moradores sobre a gravidade, já que Ilhabela foi classificada como a cidade que tem a pior situação de saneamento da região litorânea, criou-se o projeto Observando Rios de Ilhabela, coordenado por Gilda Nunes. A ideia é que a educação ambiental seja levada às escolas públicas e particulares como EE Prof. Maria Gemma de Souza Oliveira, Colégio São João e Associação Barreiros.

“A partir da participação dos alunos é feito o monitoramento de, atualmente, 15 rios e córregos. São colhidas amostras de água e em aula ou laboratórios escolares é testada a qualidade, quantidade de coliformes fecais e o número de pH”, explica Gilda. De acordo com ela, após os resultados os relatórios podem ser acompanhados no  site  e sinalizações de “bom a ruim” são colocadas em cada rio.

A conscientização sobre o tratamento hídrico tem trazido melhorias significativas, principalmente fazendo com que os moradores pensem a respeito e cobrem atitudes prioritárias dos governantes, pois a dimensão do problema é muito maior do que apenas deterioração dos rios, praias, fauna e flora pela falta de saneamento. Os poluentes podem trazer consequências como doenças, dificuldades no desenvolvimento educacional infantil e também danos no turismo e vivencia da cidade. Portanto, segundo Gilda, o “investimento para saneamento básico no presente sairia mais barato do que investimento em saúde no futuro, além do prejuízo por perda de visitantes”.

Segundo a coordenadora, o atual prefeito de Ilhabela, Marcio Tenório, em audiência pública se comprometeu a destinar parte dos royalties ao saneamento para que todos tenham, aos poucos, acesso ao tratamento de esgoto em suas casas. Assim, a Sabesp poderá fazer o descarte em rios e praias de forma correta e não prejudicial.

Confira no vídeo abaixo como funciona o projeto Observando Rios de Ilhabela.

 

Alunos fazem a coleta de lixo dentro e ao redor da escola (foto: Arquivo-thomaz ribeiro de lima)

A escola estadual Thomaz Ribeiro de Lima, de Caraguatatuba, desenvolveu um projeto chamado ‘’Por hoje não vou sujar’’, que conscientiza jovens e adolescentes da instituição a manter o ambiente dentro e fora da escola limpo, além incentivar outras atitudes sustentáveis.

‘’Partindo do desenvolvimento do conceito de paisagem, onde abordamos as transformações e os impactos produzidos pelo homem, os alunos observaram no local, mais especificamente no pátio, sala de aula e nos arredores da escola, uma grande quantidade de lixo jogada no chão”, explicou o professor responsável pelo projeto, Dagoberto de Oliveira Pires.

Segundo a direção da escola, todos os anos a instituição recebe em média quatro salas de aula com aproximadamente 40 alunos em cada uma delas, com problemas em relação ao lixo, como por exemplo jogar embalagens descartáveis no chão. ‘’É um projeto que não tem fim, porque todo ano precisamos fazer esse trabalho com jovens que deveriam ter aprendido esse tipo de coisa em casa’’, completa Pires. O foco do projeto é mostrar para os alunos o que as ações humanas podem trazer para o meio ambiente, para que eles possam mudar os hábitos e compreender que manter o ambiente limpo é uma necessidade e não uma obrigação.

O projeto também desenvolveu oficinas de sabão, com o reaproveitamento de óleo doméstico; criou um posto de coleta seletiva de pilhas e baterias celulares para reciclagem; convidou especialistas para falar dos impactos acumulativos do ponto de vista sócio ambiental; organizou concursos de frases e desenhos com o tema do projeto e elaborou pesquisas de imagens retratando ambientes degradado em locais de ocupação irregular.

Placas do projeto são espalhadas pela escola para incentivar os alunos. (Foto: Gabriela Castro).

O sucesso da iniciativa é tão grande, que outras escolas do Município estão querendo implementar ações similares. Entre os alunos, também há muitos elogios em relação à atividade. ‘’Esse projeto da escola Thomaz foi algo muito bom, que deu resultados ao meu ver; pois os alunos deixam a escola limpa por prazer e não mais por obrigação’’, afirma a aluna Isadora Lucaichus Telles do terceiro ano do ensino médio.

A estudante Jaine Rocha da Silva, também do terceiro ano, conta que o aprendizado é fundamental para a vida. ”Este projeto me ensinou muito, porque o que levamos para vida é tudo aquilo que aprendemos na escola. Com este projeto aprendemos como ser portas fora da escola, aprendemos a ser organizados, e mais conscientes. Eu acho que este foi o projeto que mais deu certo.”

Mesmo quem já saiu da escola, lembra a importância dessa ação. ‘’O projeto surgiu quando eu entrei na escola, no primeiro ano do ensino médio. Na minha opinião foi muito bom, pois os alunos se conscientizavam mais quando se tratava do lixo e muitas vezes ajudavam limpar por amor. Usávamos até o exemplo falando ‘Por hoje não vou sujar’. Sem duvida, foi muito útil para os alunos’’, confirmou a ex-aluna Letícia Aires Nepomuceno.

O Governo do estado de São Paulo aprovou o projeto e liberou uma verba de três mil reais para a realização deste, que teve inicio no ano de 2012. Este ano, 2017, a escola continua trabalhando com a conscientização dos alunos em relação ao meio ambiente, mas também está com planos para abranger atividades contra o bullying, racismo e a homofobia.

A trilha do pico do Baepi é um dos principais destinos, e um dos destaques, para aqueles que procuram visitar Ilhabela a procura de aventura.

Com uma linda vista panorâmica do canal de São Sebastião, a subida ao pico presenteia aqueles que se dispõe a encará-la com uma das vistas mais lindas de todo o litoral norte.

Com 1.048 metros de altitude, o Baepi desafia aventureiros de todo o mundo. Com uma trilha repleta de dificuldades, porém, que proporciona o contato direto com a vegetação e até alguns animais nativos da mata atlântica.

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A trilha, classificada com o nível de dificuldade alto, é cheia de obstáculos, como lugares onde é preciso praticamente deitar-se para que se consiga passar. São 7,4 quilômetros, considerando ida e volta, de muitas subidas, que são feitos, normalmente, num tempo médio de 6 horas.

A trilha em si é bem demarcada. Muitos pontos possuem degraus, o que ajuda os aventureiros principalmente na subida, e já chegando ao topo do pico foram colocadas escadas para facilitar a escalada em pontos mais difíceis.

Para se aventurar em subir o Baepi é preciso ter o preparo físico em dia e muita resistência, segundo Thiago Miranda, estudante de T.I em São José dos Campos, que mesmo sendo a primeira vez que sobe o pico, já pensa em voltar mais vezes. “É uma experiência única. Ter esse contato com a natureza é algo que renova nossa energia. E mesmo sendo cansativo é algo que vale muito a pena”.

É recomendado, para se fazer a trilha do pico do Baepi, o acompanhamento de um monitor, porém muitos se aventuram desacompanhados. Mas, é necessário prestar muita atenção nas mudanças climáticas repentinas, como a presença de nevoeiros.

O acesso a trilha se faz pela rua Morro da Cruz, no bairro Itaguassu. Recomenda-se levar muita água, porém pouca bagagem.

O Coral-sol é uma espécie invasora que pode ser encontrada no Litoral Norte. (Foto: Keidy Beranger)

O coral sol é uma espécie oriunda do Oceano Pacífico que vem aumentando rapidamente no litoral brasileiro. Vindo em plataformas de petróleo e em embarcações, este coral foi inicialmente encontrado no estado do Rio de Janeiro. Porém, hoje já pode ser visto nos mares das regiões nordeste, sudeste e em Santa Catarina.

Por não ser uma espécie nativa, não há em nossa região um predador natural, para controlar o seu aumento. Assim, ele se alastra de forma rápida, tomando o espaço de outras espécies naturais da região.

Com velocidade de reprodução muito alta, o coral já tomou uma grande parte do litoral do Rio de Janeiro, com destaque para Ilha Grande – local mais afetado – e onde se criou o projeto Coral Sol, que busca alternativas de se controlar a proliferação dessa espécie.

Segundo Shirley Pacheco de Souza, professora e integrante do instituto Terra e Mar (ONG de São Sebastião voltada a preservação do meio ambiente), na Ilha de Búzios em Ilhabela já é possível encontrar o coral sol. “No nosso litoral ele se instalou, mas não foi numa extensão tão grande como foi na Ilha Grande (RJ). Houve de início um treinamento para retirada, mas depois pararam, já que quando se tira o coral, pode-se incentivar a reprodução. Ele solta ovos na água”.

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Da esquerda para direita: Pedro Moreira Lima, Tatiane Moreira, Shirley Pacheco de Souza e Thays Carvalho de Lima. (Foto: Arquivo pessoal)

Diante desse cenário, três estudantes do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) de Caraguatatuba, decidiram, em seu TCC, falar sobre as condições do litoral norte de São Paulo com relação ao coral sol.

Tatiane Moreira, de 17 anos, Thays Carvalho de Lima, de 16 anos, e Pedro Moreira Lima, de 17 anos optaram por falar sobre esse tema após uma aula ministrada pela professora Shirley, que também foi orientadora do grupo, sobre espécies invasoras. Na oportunidade, a professora falou a respeito do coral sol, e que ele já é encontrado na região.

“Basicamente a gente fala da introdução do coral e o quanto as pessoas sabem. É um problema grave dentro do nosso ecossistema marinho, e poucas pessoas conhecem exatamente o que ele está causando, o que é o coral sol e o que ele faz”, comentou Pedro.

Foi feita uma pesquisa pelo grupo dentro do Instituto Federal com professores e alunos. Muitos não sabiam o que era o coral sol.

Com base nisso, os três alunos montaram uma palestra de educação ambiental para que as pessoas soubessem o que é e o que ele está causando.

A escolha de pesquisar um tema que poucas pessoas conhecem abriu grandes oportunidades para os três alunos, como palestras e oportunidade de estudar mais essa área. Tatiane e Pedro conseguiram oportunidade de estagiar no CEBIMar (Centro de Biologia Marinha), e Thays, que está no ultimo ano escolar, após o término, pretende continuar seus estudos na área ambiental.

Sobre a dimensão que o TCC do grupo tomou, a orientadora Shirley diz já ter ideia dessa repercussão positiva, em grande parte por ser um tema pouco conhecido.

“Eu até falei para eles, quando fizeram a pesquisa inicial e os alunos não conheciam, que propusessem no projeto uma palestra para os alunos do IF como resultado final e  sugeri para eles que pudessem levar essa palestra para outros lugares também”, completa Shirley.

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