Destaque-Meio Ambiente

A praia foi cercada em ação promovida pelo SOS Praia da Mococa e apoio da Subprefeitura local

Funcionários de empresa terceirizada fincaram pontaletes em toda a orla da praia.

A Praia da Mococa, em Caraguatatuba, passou por um mutirão de limpeza no sábado(30 de agosto) e, em seguida, foi inteiramente cercada com pontaletes de madeira a fim de impedir o acesso de veículos na areia. A ação foi promovida pelo grupo SOS Praia da Mococa, que teve como objetivo preservar a vegetação nativa da praia e dar exclusividade aos banhistas.

Vista de cima dos pontaletes já colocados na praia (Foto: Cláudio Gomes)

Segundo o administrador da Subprefeitura da região Norte de Caraguá, Marcelo Pereira, “essa ação já era para ser realizada há muito tempo, visto que a  lei proíbe a entrada de veículos na orla da praia“. Pereira adianta que a ação prosseguirá neste sábado(8), quando serão colocadas placas de sinalização informando e alertando a população sobre a vegetação nativa que ali se encontra. Serão plantadas também 40 mudas entre plantas frutíferas e mudas de árvores nativas.

No mutirão do sábado passado, participaram 25 voluntários, além de 15 funcionários e três caminhões da subprefeitura.

O trabalho teve o apoio da Polícia Ambiental, da Secretaria de Urbanismo e de responsáveis pelo trânsito no município. A empresa que realizou a colocação dos pontaletes foi a Pioneira, que presta serviço á Prefeitura.

Polícia Ambiental e Secretaria de Urbanismo deram apoio à ação. (Foto: Patrícia Pereira)

A ação contou o apoio de comerciantes locais que forneceram gratuitamente água, refrigerantes, pães, mortadela, banana e, ainda, contribuíram com sacos de lixo para acondicionar o lixo recolhido na praia. Os colaboradores foram “Quiosque do Djalma” e “Panificadora TABAKANA”.

O custo total da ação ficou em torno de R$ 1.300,00 a 1.500,00, segundo o administrador da Subprefeitura da região Norte de Caraguá, Marcelo Pereira.

O evento, considerado o mais importante do País nessa área, será realizado nos dias 7 e 8 de outubro

Água, resíduos e mobilidade urbana serão temas de debate. (Foto: Gabriela Petarnella)

Cidades litorâneas, turísticas e dependentes uma da outra, São Sebastião e Ilhabela têm muito o que debater para melhorias na qualidade de vida, meio ambiente e economia. Esses serão alguns dos assuntos abordados no Virada Sustentável, nos dias 7 e 8 de outubro, nos dois municípios.

O evento, considerado na área como o mais importante do País, teve inicio em 2011, em São Paulo. Posteriormente, teve edições no Rio de Janeiro Porto Alegre, Manaus, Salvador, entre outras capitais. Na edição litorânea, a programação inclui rodas de conversas que irão debater questões relacionadas ao desperdício e qualidade da água, destinação de resíduos e mobilidade urbana. Paralelamente, haverá atrações como shows, oficinas interativas e apresentações artísticas que se encaixam nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU.

Esses são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Para isso, foram publicados editais para quem realiza projetos sustentáveis e culturais, assim como para aqueles  que decidiram atuar como voluntários no evento. Com o encerramento dos prazos de inscrição, registraram se 65 projetos e 113 voluntários.

Diferentemente de qualquer evento onde acontece primeiro a captação de verba para que se inicie a organização, esse começou sem apoio financeiro e estrutural. Os organizadores ainda estão em busca de apoiadores já que a programação será baseada na verba e patrocínio conseguidos, segundo Alessandra Thomazini, circense, diretora do Circo Burlesco em Ilhabela e organizadora da Virada. Ela acrescenta que as prefeituras de ambas cidades foram contatadas e se comprometeram com apoio ao evento.

De acordo com Tatiana Araujo, empreendedora social da FLOW Desenvolvimento Sustentável, o “Virada Sustentável é aberto ao público em geral, mais especificamente moradores e frequentadores de ambas cidades, com estimativa de faixa etária entre 17 e 65 anos. O evento tem como objetivo deixar como legado a ampliação de conhecimentos a partir das rodas de conversas e formar uma conexão entre as duas cidades com um bem em comum, o desenvolvimento sustentável”.

O projeto será realizado nos dias 7 e 8 de outubro, sendo dois dias em Ilhabela e dois dias em São Sebastião e terá sua programação e os locais serão divulgados nos próximos dias.

Escola estadual trabalha a educação ambiental e já conquistou premiação pelo projeto.

Alunos fazendo a coleta de lixo na praia do Porto Novo. (Foto: Arquivo pessoal da direção da escola)

A escola estadual Avelino Ferreira, de Caraguatatuba, trabalha a educação ambiental há muito tempo, mas em 2013 abraçou o projeto ‘’Juqueriquerê, o rio pede socorro’’, que conscientiza alunos a preservar e cuidar do Rio Juqueriquerê.  O Projeto teve tanto reconhecimento que já foi até premiado pelo 14º Prêmio Escola Voluntária.

A coordenadora da escola, Gisele de Souza, conta que o projeto foi ideia da ex-diretora da escola, Silva Sgarbi.  ‘’O projeto surgiu na época em que a Silvia era diretora da escola Ismael Iglesias, e certo dia,  indo trabalhar, percebeu muito lixo dentro e em volta do rio. Foi então que ela escreveu o projeto ‘Juqueriquerê, o rio pede socorro’ que tinha como seu maior objetivo a preservação deste. Houve grande envolvimento da comunidade que morava próximo a escola e também dos próprios alunos da instituição. Quando ela veio para nossa escola, trouxe com ela esse projeto’’, explica Gisele.

Alunos da escola Avelino e ONG Acaju fazendo limpezas de rios e praias. (Foto: Arquivo pessoal direção da escola)

A escola não conta com a ajuda da prefeitura da cidade para realização do projeto, mas a diretora Rosimeire Ribeiro destaca que recebe todo apoio da ONG Acaju (Associação Caiçara Juqueriquerê), que cuida da preservação e limpeza dos rios e praias de Caraguatatuba, antes mesmo da escola Avelino abraçar essa causa.

A direção da escola disse que todo bimestre são realizadas ações de limpeza do rio, ou seja, são quatro limpezas já agendadas. Quando há algum imprevisto, são necessárias mais de quatro sessões. ‘’Houve um episódio em que uma tapeçaria despejou pedaços de sofás e panos nas margens do rio e tivemos que fazer a coleta desses objetos fora das datas agendadas’’, conta a coordenadora.

Durante todo ano,  a escola consegue conciliar o projeto com as demais matérias curriculares. No final do ano letivo é realizada a gincana com todas as classes de aulas envolvidas.

Sucesso

A sucesso do projeto foi tão grande, que a escola participou do evento “14º Prêmio Escola Voluntária”, em 2014, e conquistou a 3ª colocação. Também foram premiados com um cheque no valor de dez mil reais.

Alunos da escola na premiação do evento ‘’14º Prêmio Escola Voluntária. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Rio Juqueriquerê

O Rio Juqueriquerê é o maior rio e o único navegável do Litoral Norte. Ele é formado pelo encontro dos rios Pirassununga e Camburu. Possui cerca de 13 quilômetros de extensão entre sua nascente e a foz na praia das Flexeiras, onde deságua.

O rio corta importantes bairros de Caraguatatuba como o Porto Novo, Barranco Alto e Morro do Algodão. Ele também já serviu como divisa entre Caraguatatuba e São Sebastião antes do decreto estadual transferir a divisa das duas cidades para o rio Pereque-Mirim.

Parte do local onde retiram o lixo no rio juqueriquerê. (Foto: Daniela Andrade)

Com participação de Gabriela Castro

 

Processo periódico tem como objetivo evitar alagamentos e enchentes em todas as regiões da cidade

Escavadeira em trabalho de limpeza no rio da Paca (Foto: Márcia de Paula/PMC)

No mês de abril, a prefeitura de Caraguatatuba conduziu operações de limpeza e desassoreamento de valas e rios, para evitar que áreas de risco sofram com alagamentos em enchentes durante épocas chuvosas e também para evitar que ressacas tenham efeito negativo sob a cidade.

De acordo com o Diretor de Limpeza Urbana da Secretaria de Serviços Públicos (Sesep), Gilberto Santos, as operações de limpeza de valas e rios são um trabalho contínuo e cíclico, feito periodicamente e intensificado em períodos chuvosos, principalmente por volta de março e setembro. Santos ainda afirmou que não há uma área de foco na operação em seu todo, pois a cada período há uma região que demanda mais atenção do que as demais. Ele estimou cerca de 12 a 15 valas e rios que são atendidos pelas operações da Sesep.

Segundo ele, os principais processos adotados para que a operação tenha sucesso são os de limpeza, desassoreamento e aprofundamento do leito, mas também há a utilização de outros métodos, como o de contenção de margens, variando de acordo com o que a região necessita. “É um trabalho muito importante para a cidade e essencial para evitar alagamentos e enchentes nos bairros”, disse ele.

O diretor também contou que os processos serão refeitos por volta do mês de setembro, visando um menor impacto por parte das chuvas que podem vir. “Vivemos em uma região que chove muito em pouco tempo. Precisamos estar preparados”, concluiu.

"Observando Rios em Ilhabela" é uma iniciativa do Instituto Ilhabela Sustentável para escolas públicas e privadas do município.

Crianças participam do projeto Observando Rios. (Foto: Reprodução site Ilhabela Sustentável)

Há dez anos o Instituto Ilhabela Sustentável tem colocado em prática projetos e cobrado o governo municipal para buscar melhoria da qualidade de vida dos munícipes. Em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Instituto conseguiu ganhar apoio de boa parte da população mostrando, com estudos e comprovações, que a cidade tem que assumir uma grande mudança em relação a questão de saneamento básico.

Pensando em como alertar os moradores sobre a gravidade, já que Ilhabela foi classificada como a cidade que tem a pior situação de saneamento da região litorânea, criou-se o projeto Observando Rios de Ilhabela, coordenado por Gilda Nunes. A ideia é que a educação ambiental seja levada às escolas públicas e particulares como EE Prof. Maria Gemma de Souza Oliveira, Colégio São João e Associação Barreiros.

“A partir da participação dos alunos é feito o monitoramento de, atualmente, 15 rios e córregos. São colhidas amostras de água e em aula ou laboratórios escolares é testada a qualidade, quantidade de coliformes fecais e o número de pH”, explica Gilda. De acordo com ela, após os resultados os relatórios podem ser acompanhados no  site  e sinalizações de “bom a ruim” são colocadas em cada rio.

A conscientização sobre o tratamento hídrico tem trazido melhorias significativas, principalmente fazendo com que os moradores pensem a respeito e cobrem atitudes prioritárias dos governantes, pois a dimensão do problema é muito maior do que apenas deterioração dos rios, praias, fauna e flora pela falta de saneamento. Os poluentes podem trazer consequências como doenças, dificuldades no desenvolvimento educacional infantil e também danos no turismo e vivencia da cidade. Portanto, segundo Gilda, o “investimento para saneamento básico no presente sairia mais barato do que investimento em saúde no futuro, além do prejuízo por perda de visitantes”.

Segundo a coordenadora, o atual prefeito de Ilhabela, Marcio Tenório, em audiência pública se comprometeu a destinar parte dos royalties ao saneamento para que todos tenham, aos poucos, acesso ao tratamento de esgoto em suas casas. Assim, a Sabesp poderá fazer o descarte em rios e praias de forma correta e não prejudicial.

Confira no vídeo abaixo como funciona o projeto Observando Rios de Ilhabela.

 

Alunos fazem a coleta de lixo dentro e ao redor da escola (foto: Arquivo-thomaz ribeiro de lima)

A escola estadual Thomaz Ribeiro de Lima, de Caraguatatuba, desenvolveu um projeto chamado ‘’Por hoje não vou sujar’’, que conscientiza jovens e adolescentes da instituição a manter o ambiente dentro e fora da escola limpo, além incentivar outras atitudes sustentáveis.

‘’Partindo do desenvolvimento do conceito de paisagem, onde abordamos as transformações e os impactos produzidos pelo homem, os alunos observaram no local, mais especificamente no pátio, sala de aula e nos arredores da escola, uma grande quantidade de lixo jogada no chão”, explicou o professor responsável pelo projeto, Dagoberto de Oliveira Pires.

Segundo a direção da escola, todos os anos a instituição recebe em média quatro salas de aula com aproximadamente 40 alunos em cada uma delas, com problemas em relação ao lixo, como por exemplo jogar embalagens descartáveis no chão. ‘’É um projeto que não tem fim, porque todo ano precisamos fazer esse trabalho com jovens que deveriam ter aprendido esse tipo de coisa em casa’’, completa Pires. O foco do projeto é mostrar para os alunos o que as ações humanas podem trazer para o meio ambiente, para que eles possam mudar os hábitos e compreender que manter o ambiente limpo é uma necessidade e não uma obrigação.

O projeto também desenvolveu oficinas de sabão, com o reaproveitamento de óleo doméstico; criou um posto de coleta seletiva de pilhas e baterias celulares para reciclagem; convidou especialistas para falar dos impactos acumulativos do ponto de vista sócio ambiental; organizou concursos de frases e desenhos com o tema do projeto e elaborou pesquisas de imagens retratando ambientes degradado em locais de ocupação irregular.

Placas do projeto são espalhadas pela escola para incentivar os alunos. (Foto: Gabriela Castro).

O sucesso da iniciativa é tão grande, que outras escolas do Município estão querendo implementar ações similares. Entre os alunos, também há muitos elogios em relação à atividade. ‘’Esse projeto da escola Thomaz foi algo muito bom, que deu resultados ao meu ver; pois os alunos deixam a escola limpa por prazer e não mais por obrigação’’, afirma a aluna Isadora Lucaichus Telles do terceiro ano do ensino médio.

A estudante Jaine Rocha da Silva, também do terceiro ano, conta que o aprendizado é fundamental para a vida. ”Este projeto me ensinou muito, porque o que levamos para vida é tudo aquilo que aprendemos na escola. Com este projeto aprendemos como ser portas fora da escola, aprendemos a ser organizados, e mais conscientes. Eu acho que este foi o projeto que mais deu certo.”

Mesmo quem já saiu da escola, lembra a importância dessa ação. ‘’O projeto surgiu quando eu entrei na escola, no primeiro ano do ensino médio. Na minha opinião foi muito bom, pois os alunos se conscientizavam mais quando se tratava do lixo e muitas vezes ajudavam limpar por amor. Usávamos até o exemplo falando ‘Por hoje não vou sujar’. Sem duvida, foi muito útil para os alunos’’, confirmou a ex-aluna Letícia Aires Nepomuceno.

O Governo do estado de São Paulo aprovou o projeto e liberou uma verba de três mil reais para a realização deste, que teve inicio no ano de 2012. Este ano, 2017, a escola continua trabalhando com a conscientização dos alunos em relação ao meio ambiente, mas também está com planos para abranger atividades contra o bullying, racismo e a homofobia.

A trilha do pico do Baepi é um dos principais destinos, e um dos destaques, para aqueles que procuram visitar Ilhabela a procura de aventura.

Com uma linda vista panorâmica do canal de São Sebastião, a subida ao pico presenteia aqueles que se dispõe a encará-la com uma das vistas mais lindas de todo o litoral norte.

Com 1.048 metros de altitude, o Baepi desafia aventureiros de todo o mundo. Com uma trilha repleta de dificuldades, porém, que proporciona o contato direto com a vegetação e até alguns animais nativos da mata atlântica.

vista-do-canal

A trilha, classificada com o nível de dificuldade alto, é cheia de obstáculos, como lugares onde é preciso praticamente deitar-se para que se consiga passar. São 7,4 quilômetros, considerando ida e volta, de muitas subidas, que são feitos, normalmente, num tempo médio de 6 horas.

A trilha em si é bem demarcada. Muitos pontos possuem degraus, o que ajuda os aventureiros principalmente na subida, e já chegando ao topo do pico foram colocadas escadas para facilitar a escalada em pontos mais difíceis.

Para se aventurar em subir o Baepi é preciso ter o preparo físico em dia e muita resistência, segundo Thiago Miranda, estudante de T.I em São José dos Campos, que mesmo sendo a primeira vez que sobe o pico, já pensa em voltar mais vezes. “É uma experiência única. Ter esse contato com a natureza é algo que renova nossa energia. E mesmo sendo cansativo é algo que vale muito a pena”.

É recomendado, para se fazer a trilha do pico do Baepi, o acompanhamento de um monitor, porém muitos se aventuram desacompanhados. Mas, é necessário prestar muita atenção nas mudanças climáticas repentinas, como a presença de nevoeiros.

O acesso a trilha se faz pela rua Morro da Cruz, no bairro Itaguassu. Recomenda-se levar muita água, porém pouca bagagem.

O Coral-sol é uma espécie invasora que pode ser encontrada no Litoral Norte. (Foto: Keidy Beranger)

O coral sol é uma espécie oriunda do Oceano Pacífico que vem aumentando rapidamente no litoral brasileiro. Vindo em plataformas de petróleo e em embarcações, este coral foi inicialmente encontrado no estado do Rio de Janeiro. Porém, hoje já pode ser visto nos mares das regiões nordeste, sudeste e em Santa Catarina.

Por não ser uma espécie nativa, não há em nossa região um predador natural, para controlar o seu aumento. Assim, ele se alastra de forma rápida, tomando o espaço de outras espécies naturais da região.

Com velocidade de reprodução muito alta, o coral já tomou uma grande parte do litoral do Rio de Janeiro, com destaque para Ilha Grande – local mais afetado – e onde se criou o projeto Coral Sol, que busca alternativas de se controlar a proliferação dessa espécie.

Segundo Shirley Pacheco de Souza, professora e integrante do instituto Terra e Mar (ONG de São Sebastião voltada a preservação do meio ambiente), na Ilha de Búzios em Ilhabela já é possível encontrar o coral sol. “No nosso litoral ele se instalou, mas não foi numa extensão tão grande como foi na Ilha Grande (RJ). Houve de início um treinamento para retirada, mas depois pararam, já que quando se tira o coral, pode-se incentivar a reprodução. Ele solta ovos na água”.

turma-coral-sol
Da esquerda para direita: Pedro Moreira Lima, Tatiane Moreira, Shirley Pacheco de Souza e Thays Carvalho de Lima. (Foto: Arquivo pessoal)

Diante desse cenário, três estudantes do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) de Caraguatatuba, decidiram, em seu TCC, falar sobre as condições do litoral norte de São Paulo com relação ao coral sol.

Tatiane Moreira, de 17 anos, Thays Carvalho de Lima, de 16 anos, e Pedro Moreira Lima, de 17 anos optaram por falar sobre esse tema após uma aula ministrada pela professora Shirley, que também foi orientadora do grupo, sobre espécies invasoras. Na oportunidade, a professora falou a respeito do coral sol, e que ele já é encontrado na região.

“Basicamente a gente fala da introdução do coral e o quanto as pessoas sabem. É um problema grave dentro do nosso ecossistema marinho, e poucas pessoas conhecem exatamente o que ele está causando, o que é o coral sol e o que ele faz”, comentou Pedro.

Foi feita uma pesquisa pelo grupo dentro do Instituto Federal com professores e alunos. Muitos não sabiam o que era o coral sol.

Com base nisso, os três alunos montaram uma palestra de educação ambiental para que as pessoas soubessem o que é e o que ele está causando.

A escolha de pesquisar um tema que poucas pessoas conhecem abriu grandes oportunidades para os três alunos, como palestras e oportunidade de estudar mais essa área. Tatiane e Pedro conseguiram oportunidade de estagiar no CEBIMar (Centro de Biologia Marinha), e Thays, que está no ultimo ano escolar, após o término, pretende continuar seus estudos na área ambiental.

Sobre a dimensão que o TCC do grupo tomou, a orientadora Shirley diz já ter ideia dessa repercussão positiva, em grande parte por ser um tema pouco conhecido.

“Eu até falei para eles, quando fizeram a pesquisa inicial e os alunos não conheciam, que propusessem no projeto uma palestra para os alunos do IF como resultado final e  sugeri para eles que pudessem levar essa palestra para outros lugares também”, completa Shirley.

O Projeto Visão costeira durante uma das suas viagens ( foto : Jornal Costa Norte e Beatriz Rego / PMSS)

O Projeto  Visão Costeira leva alunos das escolas da região para passeios marítimos na cidade. O idealizador é o secretário do meio ambiente Eduardo Hipólito do Rego. “A ideia surgiu na faculdade de São Sebastião e tem por objetivo catalogar todos os pontos da cidade desde a foz do rio Perequê-mirim, divisa com a cidade de Caraguatatuba, até a foz do Rio Parateus na divisa com a cidade de Bertioga”, explica o secretário.

Os passeios são feitos com escunas. O projeto existe desde 2004 e o trajeto foi sendo alterado com o passar do tempo para se adaptar aos horários das escolas e assim levar o máximo de alunos para conhecer os pontos.

Um dos possíveis percursos se inicia no bairro de São Francisco e segue até o manguezal do Araçá, ou até o CEBIMar/USP (Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo). Por ano, o projeto recebe aproximadamente entre 25 e 35 escolas. O conteúdo durante o passeio é bem abrangente, passando pela geografia, história e até a física do local que está sendo feito o itinerário.

 

“Apresento em uma manhã aos alunos o que levaria muito tempo para ser mostrado em sala de aula."
“Apresento em uma manhã aos alunos o que levaria muito tempo para ser mostrado em sala de aula”, afirma Eduardo Hipólito. (Foto: Leonardo Rodrigues PMSS)

Para o secretário, é uma grande satisfação coordenar o projeto. “Apresento em uma manhã aos alunos o que levaria muito tempo para ser mostrado em sala de aula.”  

Sobre educação ambiental, Eduardo diz que existem escolas no município que trabalham bem esse tema, porém existem outras que não o abordam frequentemente.  No entanto, ele é bem positivo sobre o assunto e diz que enxerga uma mudança de perspectiva dos professores. “De uns 20 anos para cá, vejo crescer bastante a vontade dos professores em debater esse tema”.  Para agendar uma navegação ou conhecer mais sobre o projeto, os interessados podem entrar em contato com a Secretaria de Meio Ambiente pelo telefone 3892-6000.

A cobra coral verdadeira tem a cabeça arredondada diferentemente das serpentes da família Viperidae (Imagem Creative Commons)

Em todo Litoral Norte existe uma grande variedade de espécies de animais, desde os mais inofensivos aos mais “perigosos”. Possivelmente, as serpentes são as que mais assustam ao serem vistas em lugares como o quintal de uma casa ou até mesmo na rua.

De acordo com Fernando Raeder, analista ambiental do Ibama, um levantamento feito pelo biólogo Paulo Afonso Hartmann, em parte da serra do mar, constatou que no Litoral as cobras mais facilmente encontradas são a jararaca (Bothrops jararaca), a jararacuçu (Bothrops jararacussu), a cobra-cipó (Chironius fuscus), a jararaquinha (Xenodon neuwiedii) e a cobra-verde (Liophis atraventer).

Segundo Raeder, as serpentes encontradas em residências podem estar a procura de abrigo, de alimentos, de água/umidade, ou simplesmente de passagem. “As serpentes são mais ativas quanto maior é a temperatura, e também na época de reprodução, quando se deslocam em busca de parceiros.” Se uma serpente for vista no quintal de uma residência, é possível acionar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Ambiental ou a Defesa Civil.

Raeder explicou também que não é fácil a identificação de uma cobra peçonhenta. “É difícil identificar com precisão se uma serpente é peçonhenta ou não. É mais seguro evitar o manuseio nas situações de encontro com esses animais. No Brasil, temos duas famílias de serpentes peçonhentas, a família Viperidae e a família Elapidae”

Mas por outro lado, há quem se encante com esses répteis.  E para estes, o analista do Ibama conta que é  possível ter uma serpente de estimação, desde que o processo seja feito em estabelecimentos autorizados. “Existe a possibilidade, desde que adquiridas de estabelecimentos autorizados pelo Ibama e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SMA. É possível encontrá-los na internet, ou consultando a SMA pelo e-mail cativeiro@ambiente.sp.gov.br”.

No entanto, os animais destinados à comercialização são todos nascidos em cativeiro. É impossível “legalizar” um animal adquirido de forma irregular, por exemplo, capturado na natureza.

As famílias Viperidae e Elapidae

cobras_peconhentas
Diferenças entre as espécies peçonhentas e não peçonhentas. (Fonte: http://www.pick-upau.org.br/dicas/fim_picada/cobras_peconhentas.jpg )

As serpentes que compõem a família Viperidae são as jararacas, cascáveis e surucucu. Elas possuem um uma“fosseta loreal”, ou seja, um orifício entre os olhos e a narina, que serve para perceber as alterações na temperatura do ambiente, além de uma cauda curta e mais fina que o corpo.

Essa família costuma ter serpentes muito agressivas quando se sentem ameaçadas. A coloração do corpo varia, mas elas podem se camuflar dependendo do ambiente. Além disso, possuem cabeça triangular, porém muitas outras serpentes que não são peçonhentas possuem as cabeças neste formato.

Já na família Elapidae estão presente as corais verdadeiras. Elas não são comuns no Litoral, mas fazem parte das peçonhentas encontradas pelo Brasil. Normalmente são de porte menor do que as da família viperidae. Elas possuem características totalmente diferentes da anterior: uma cabeça arredondada e escamas lisas, dando mais visibilidade de cor.

 

 

 

OUTRAS NOTÍCIAS

0 18
A Praia da Mococa, em Caraguatatuba, passou por um mutirão de limpeza no sábado(30 de agosto) e, em seguida, foi inteiramente cercada com pontaletes...