Meio ambiente

Processo periódico tem como objetivo evitar alagamentos e enchentes em todas as regiões da cidade

Escavadeira em trabalho de limpeza no rio da Paca (Foto: Márcia de Paula/PMC)

No mês de abril, a prefeitura de Caraguatatuba conduziu operações de limpeza e desassoreamento de valas e rios, para evitar que áreas de risco sofram com alagamentos em enchentes durante épocas chuvosas e também para evitar que ressacas tenham efeito negativo sob a cidade.

De acordo com o Diretor de Limpeza Urbana da Secretaria de Serviços Públicos (Sesep), Gilberto Santos, as operações de limpeza de valas e rios são um trabalho contínuo e cíclico, feito periodicamente e intensificado em períodos chuvosos, principalmente por volta de março e setembro. Santos ainda afirmou que não há uma área de foco na operação em seu todo, pois a cada período há uma região que demanda mais atenção do que as demais. Ele estimou cerca de 12 a 15 valas e rios que são atendidos pelas operações da Sesep.

Segundo ele, os principais processos adotados para que a operação tenha sucesso são os de limpeza, desassoreamento e aprofundamento do leito, mas também há a utilização de outros métodos, como o de contenção de margens, variando de acordo com o que a região necessita. “É um trabalho muito importante para a cidade e essencial para evitar alagamentos e enchentes nos bairros”, disse ele.

O diretor também contou que os processos serão refeitos por volta do mês de setembro, visando um menor impacto por parte das chuvas que podem vir. “Vivemos em uma região que chove muito em pouco tempo. Precisamos estar preparados”, concluiu.

"Observando Rios em Ilhabela" é uma iniciativa do Instituto Ilhabela Sustentável para escolas públicas e privadas do município.

Crianças participam do projeto Observando Rios. (Foto: Reprodução site Ilhabela Sustentável)

Há dez anos o Instituto Ilhabela Sustentável tem colocado em prática projetos e cobrado o governo municipal para buscar melhoria da qualidade de vida dos munícipes. Em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Instituto conseguiu ganhar apoio de boa parte da população mostrando, com estudos e comprovações, que a cidade tem que assumir uma grande mudança em relação a questão de saneamento básico.

Pensando em como alertar os moradores sobre a gravidade, já que Ilhabela foi classificada como a cidade que tem a pior situação de saneamento da região litorânea, criou-se o projeto Observando Rios de Ilhabela, coordenado por Gilda Nunes. A ideia é que a educação ambiental seja levada às escolas públicas e particulares como EE Prof. Maria Gemma de Souza Oliveira, Colégio São João e Associação Barreiros.

“A partir da participação dos alunos é feito o monitoramento de, atualmente, 15 rios e córregos. São colhidas amostras de água e em aula ou laboratórios escolares é testada a qualidade, quantidade de coliformes fecais e o número de pH”, explica Gilda. De acordo com ela, após os resultados os relatórios podem ser acompanhados no  site  e sinalizações de “bom a ruim” são colocadas em cada rio.

A conscientização sobre o tratamento hídrico tem trazido melhorias significativas, principalmente fazendo com que os moradores pensem a respeito e cobrem atitudes prioritárias dos governantes, pois a dimensão do problema é muito maior do que apenas deterioração dos rios, praias, fauna e flora pela falta de saneamento. Os poluentes podem trazer consequências como doenças, dificuldades no desenvolvimento educacional infantil e também danos no turismo e vivencia da cidade. Portanto, segundo Gilda, o “investimento para saneamento básico no presente sairia mais barato do que investimento em saúde no futuro, além do prejuízo por perda de visitantes”.

Segundo a coordenadora, o atual prefeito de Ilhabela, Marcio Tenório, em audiência pública se comprometeu a destinar parte dos royalties ao saneamento para que todos tenham, aos poucos, acesso ao tratamento de esgoto em suas casas. Assim, a Sabesp poderá fazer o descarte em rios e praias de forma correta e não prejudicial.

Confira no vídeo abaixo como funciona o projeto Observando Rios de Ilhabela.

 

Alunos fazem a coleta de lixo dentro e ao redor da escola (foto: Arquivo-thomaz ribeiro de lima)

A escola estadual Thomaz Ribeiro de Lima, de Caraguatatuba, desenvolveu um projeto chamado ‘’Por hoje não vou sujar’’, que conscientiza jovens e adolescentes da instituição a manter o ambiente dentro e fora da escola limpo, além incentivar outras atitudes sustentáveis.

‘’Partindo do desenvolvimento do conceito de paisagem, onde abordamos as transformações e os impactos produzidos pelo homem, os alunos observaram no local, mais especificamente no pátio, sala de aula e nos arredores da escola, uma grande quantidade de lixo jogada no chão”, explicou o professor responsável pelo projeto, Dagoberto de Oliveira Pires.

Segundo a direção da escola, todos os anos a instituição recebe em média quatro salas de aula com aproximadamente 40 alunos em cada uma delas, com problemas em relação ao lixo, como por exemplo jogar embalagens descartáveis no chão. ‘’É um projeto que não tem fim, porque todo ano precisamos fazer esse trabalho com jovens que deveriam ter aprendido esse tipo de coisa em casa’’, completa Pires. O foco do projeto é mostrar para os alunos o que as ações humanas podem trazer para o meio ambiente, para que eles possam mudar os hábitos e compreender que manter o ambiente limpo é uma necessidade e não uma obrigação.

O projeto também desenvolveu oficinas de sabão, com o reaproveitamento de óleo doméstico; criou um posto de coleta seletiva de pilhas e baterias celulares para reciclagem; convidou especialistas para falar dos impactos acumulativos do ponto de vista sócio ambiental; organizou concursos de frases e desenhos com o tema do projeto e elaborou pesquisas de imagens retratando ambientes degradado em locais de ocupação irregular.

Placas do projeto são espalhadas pela escola para incentivar os alunos. (Foto: Gabriela Castro).

O sucesso da iniciativa é tão grande, que outras escolas do Município estão querendo implementar ações similares. Entre os alunos, também há muitos elogios em relação à atividade. ‘’Esse projeto da escola Thomaz foi algo muito bom, que deu resultados ao meu ver; pois os alunos deixam a escola limpa por prazer e não mais por obrigação’’, afirma a aluna Isadora Lucaichus Telles do terceiro ano do ensino médio.

A estudante Jaine Rocha da Silva, também do terceiro ano, conta que o aprendizado é fundamental para a vida. ”Este projeto me ensinou muito, porque o que levamos para vida é tudo aquilo que aprendemos na escola. Com este projeto aprendemos como ser portas fora da escola, aprendemos a ser organizados, e mais conscientes. Eu acho que este foi o projeto que mais deu certo.”

Mesmo quem já saiu da escola, lembra a importância dessa ação. ‘’O projeto surgiu quando eu entrei na escola, no primeiro ano do ensino médio. Na minha opinião foi muito bom, pois os alunos se conscientizavam mais quando se tratava do lixo e muitas vezes ajudavam limpar por amor. Usávamos até o exemplo falando ‘Por hoje não vou sujar’. Sem duvida, foi muito útil para os alunos’’, confirmou a ex-aluna Letícia Aires Nepomuceno.

O Governo do estado de São Paulo aprovou o projeto e liberou uma verba de três mil reais para a realização deste, que teve inicio no ano de 2012. Este ano, 2017, a escola continua trabalhando com a conscientização dos alunos em relação ao meio ambiente, mas também está com planos para abranger atividades contra o bullying, racismo e a homofobia.

A trilha do pico do Baepi é um dos principais destinos, e um dos destaques, para aqueles que procuram visitar Ilhabela a procura de aventura.

Com uma linda vista panorâmica do canal de São Sebastião, a subida ao pico presenteia aqueles que se dispõe a encará-la com uma das vistas mais lindas de todo o litoral norte.

Com 1.048 metros de altitude, o Baepi desafia aventureiros de todo o mundo. Com uma trilha repleta de dificuldades, porém, que proporciona o contato direto com a vegetação e até alguns animais nativos da mata atlântica.

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A trilha, classificada com o nível de dificuldade alto, é cheia de obstáculos, como lugares onde é preciso praticamente deitar-se para que se consiga passar. São 7,4 quilômetros, considerando ida e volta, de muitas subidas, que são feitos, normalmente, num tempo médio de 6 horas.

A trilha em si é bem demarcada. Muitos pontos possuem degraus, o que ajuda os aventureiros principalmente na subida, e já chegando ao topo do pico foram colocadas escadas para facilitar a escalada em pontos mais difíceis.

Para se aventurar em subir o Baepi é preciso ter o preparo físico em dia e muita resistência, segundo Thiago Miranda, estudante de T.I em São José dos Campos, que mesmo sendo a primeira vez que sobe o pico, já pensa em voltar mais vezes. “É uma experiência única. Ter esse contato com a natureza é algo que renova nossa energia. E mesmo sendo cansativo é algo que vale muito a pena”.

É recomendado, para se fazer a trilha do pico do Baepi, o acompanhamento de um monitor, porém muitos se aventuram desacompanhados. Mas, é necessário prestar muita atenção nas mudanças climáticas repentinas, como a presença de nevoeiros.

O acesso a trilha se faz pela rua Morro da Cruz, no bairro Itaguassu. Recomenda-se levar muita água, porém pouca bagagem.

O Coral-sol é uma espécie invasora que pode ser encontrada no Litoral Norte. (Foto: Keidy Beranger)

O coral sol é uma espécie oriunda do Oceano Pacífico que vem aumentando rapidamente no litoral brasileiro. Vindo em plataformas de petróleo e em embarcações, este coral foi inicialmente encontrado no estado do Rio de Janeiro. Porém, hoje já pode ser visto nos mares das regiões nordeste, sudeste e em Santa Catarina.

Por não ser uma espécie nativa, não há em nossa região um predador natural, para controlar o seu aumento. Assim, ele se alastra de forma rápida, tomando o espaço de outras espécies naturais da região.

Com velocidade de reprodução muito alta, o coral já tomou uma grande parte do litoral do Rio de Janeiro, com destaque para Ilha Grande – local mais afetado – e onde se criou o projeto Coral Sol, que busca alternativas de se controlar a proliferação dessa espécie.

Segundo Shirley Pacheco de Souza, professora e integrante do instituto Terra e Mar (ONG de São Sebastião voltada a preservação do meio ambiente), na Ilha de Búzios em Ilhabela já é possível encontrar o coral sol. “No nosso litoral ele se instalou, mas não foi numa extensão tão grande como foi na Ilha Grande (RJ). Houve de início um treinamento para retirada, mas depois pararam, já que quando se tira o coral, pode-se incentivar a reprodução. Ele solta ovos na água”.

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Da esquerda para direita: Pedro Moreira Lima, Tatiane Moreira, Shirley Pacheco de Souza e Thays Carvalho de Lima. (Foto: Arquivo pessoal)

Diante desse cenário, três estudantes do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) de Caraguatatuba, decidiram, em seu TCC, falar sobre as condições do litoral norte de São Paulo com relação ao coral sol.

Tatiane Moreira, de 17 anos, Thays Carvalho de Lima, de 16 anos, e Pedro Moreira Lima, de 17 anos optaram por falar sobre esse tema após uma aula ministrada pela professora Shirley, que também foi orientadora do grupo, sobre espécies invasoras. Na oportunidade, a professora falou a respeito do coral sol, e que ele já é encontrado na região.

“Basicamente a gente fala da introdução do coral e o quanto as pessoas sabem. É um problema grave dentro do nosso ecossistema marinho, e poucas pessoas conhecem exatamente o que ele está causando, o que é o coral sol e o que ele faz”, comentou Pedro.

Foi feita uma pesquisa pelo grupo dentro do Instituto Federal com professores e alunos. Muitos não sabiam o que era o coral sol.

Com base nisso, os três alunos montaram uma palestra de educação ambiental para que as pessoas soubessem o que é e o que ele está causando.

A escolha de pesquisar um tema que poucas pessoas conhecem abriu grandes oportunidades para os três alunos, como palestras e oportunidade de estudar mais essa área. Tatiane e Pedro conseguiram oportunidade de estagiar no CEBIMar (Centro de Biologia Marinha), e Thays, que está no ultimo ano escolar, após o término, pretende continuar seus estudos na área ambiental.

Sobre a dimensão que o TCC do grupo tomou, a orientadora Shirley diz já ter ideia dessa repercussão positiva, em grande parte por ser um tema pouco conhecido.

“Eu até falei para eles, quando fizeram a pesquisa inicial e os alunos não conheciam, que propusessem no projeto uma palestra para os alunos do IF como resultado final e  sugeri para eles que pudessem levar essa palestra para outros lugares também”, completa Shirley.

O Projeto Visão costeira durante uma das suas viagens ( foto : Jornal Costa Norte e Beatriz Rego / PMSS)

O Projeto  Visão Costeira leva alunos das escolas da região para passeios marítimos na cidade. O idealizador é o secretário do meio ambiente Eduardo Hipólito do Rego. “A ideia surgiu na faculdade de São Sebastião e tem por objetivo catalogar todos os pontos da cidade desde a foz do rio Perequê-mirim, divisa com a cidade de Caraguatatuba, até a foz do Rio Parateus na divisa com a cidade de Bertioga”, explica o secretário.

Os passeios são feitos com escunas. O projeto existe desde 2004 e o trajeto foi sendo alterado com o passar do tempo para se adaptar aos horários das escolas e assim levar o máximo de alunos para conhecer os pontos.

Um dos possíveis percursos se inicia no bairro de São Francisco e segue até o manguezal do Araçá, ou até o CEBIMar/USP (Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo). Por ano, o projeto recebe aproximadamente entre 25 e 35 escolas. O conteúdo durante o passeio é bem abrangente, passando pela geografia, história e até a física do local que está sendo feito o itinerário.

 

“Apresento em uma manhã aos alunos o que levaria muito tempo para ser mostrado em sala de aula."
“Apresento em uma manhã aos alunos o que levaria muito tempo para ser mostrado em sala de aula”, afirma Eduardo Hipólito. (Foto: Leonardo Rodrigues PMSS)

Para o secretário, é uma grande satisfação coordenar o projeto. “Apresento em uma manhã aos alunos o que levaria muito tempo para ser mostrado em sala de aula.”  

Sobre educação ambiental, Eduardo diz que existem escolas no município que trabalham bem esse tema, porém existem outras que não o abordam frequentemente.  No entanto, ele é bem positivo sobre o assunto e diz que enxerga uma mudança de perspectiva dos professores. “De uns 20 anos para cá, vejo crescer bastante a vontade dos professores em debater esse tema”.  Para agendar uma navegação ou conhecer mais sobre o projeto, os interessados podem entrar em contato com a Secretaria de Meio Ambiente pelo telefone 3892-6000.

A cobra coral verdadeira tem a cabeça arredondada diferentemente das serpentes da família Viperidae (Imagem Creative Commons)

Em todo Litoral Norte existe uma grande variedade de espécies de animais, desde os mais inofensivos aos mais “perigosos”. Possivelmente, as serpentes são as que mais assustam ao serem vistas em lugares como o quintal de uma casa ou até mesmo na rua.

De acordo com Fernando Raeder, analista ambiental do Ibama, um levantamento feito pelo biólogo Paulo Afonso Hartmann, em parte da serra do mar, constatou que no Litoral as cobras mais facilmente encontradas são a jararaca (Bothrops jararaca), a jararacuçu (Bothrops jararacussu), a cobra-cipó (Chironius fuscus), a jararaquinha (Xenodon neuwiedii) e a cobra-verde (Liophis atraventer).

Segundo Raeder, as serpentes encontradas em residências podem estar a procura de abrigo, de alimentos, de água/umidade, ou simplesmente de passagem. “As serpentes são mais ativas quanto maior é a temperatura, e também na época de reprodução, quando se deslocam em busca de parceiros.” Se uma serpente for vista no quintal de uma residência, é possível acionar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Ambiental ou a Defesa Civil.

Raeder explicou também que não é fácil a identificação de uma cobra peçonhenta. “É difícil identificar com precisão se uma serpente é peçonhenta ou não. É mais seguro evitar o manuseio nas situações de encontro com esses animais. No Brasil, temos duas famílias de serpentes peçonhentas, a família Viperidae e a família Elapidae”

Mas por outro lado, há quem se encante com esses répteis.  E para estes, o analista do Ibama conta que é  possível ter uma serpente de estimação, desde que o processo seja feito em estabelecimentos autorizados. “Existe a possibilidade, desde que adquiridas de estabelecimentos autorizados pelo Ibama e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SMA. É possível encontrá-los na internet, ou consultando a SMA pelo e-mail cativeiro@ambiente.sp.gov.br”.

No entanto, os animais destinados à comercialização são todos nascidos em cativeiro. É impossível “legalizar” um animal adquirido de forma irregular, por exemplo, capturado na natureza.

As famílias Viperidae e Elapidae

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Diferenças entre as espécies peçonhentas e não peçonhentas. (Fonte: http://www.pick-upau.org.br/dicas/fim_picada/cobras_peconhentas.jpg )

As serpentes que compõem a família Viperidae são as jararacas, cascáveis e surucucu. Elas possuem um uma“fosseta loreal”, ou seja, um orifício entre os olhos e a narina, que serve para perceber as alterações na temperatura do ambiente, além de uma cauda curta e mais fina que o corpo.

Essa família costuma ter serpentes muito agressivas quando se sentem ameaçadas. A coloração do corpo varia, mas elas podem se camuflar dependendo do ambiente. Além disso, possuem cabeça triangular, porém muitas outras serpentes que não são peçonhentas possuem as cabeças neste formato.

Já na família Elapidae estão presente as corais verdadeiras. Elas não são comuns no Litoral, mas fazem parte das peçonhentas encontradas pelo Brasil. Normalmente são de porte menor do que as da família viperidae. Elas possuem características totalmente diferentes da anterior: uma cabeça arredondada e escamas lisas, dando mais visibilidade de cor.

 

 

 

Da esquerda para direita: professora Patricia Carbonari, Aline Faustino Soares, Myrian Cristina e Núbia Marques da Silva (Foto: Arquivo Pessoal)

O projeto “The Innovation Of Petsorb – A Inovação da Turfa”, das ex-alunas Aline Faustino Soares e Núbia Marques da Silva, da Etec de Caraguatatuba, foi um dos selecionados entre 1.038 trabalhos dentre Etecs e Fatecs do estado, para apresentar na 10º Feira Tecnológica do Centro Paula Souza – Feteps que aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de outubro.

A turfa canadense é um musgo encontrado em regiões montanhosas do norte Europeu. No vídeo abaixo, é mostrado como funciona nos acidentes marítimos. O óleo que não é absorvido por completo, serve somente para a combustão, porque não tem como ser retirado do mar. Espera-se o material vir para a costa e, chegando na areia, é retirado, criando uma camada por cima da mancha de óleo. Por conta disso, o material acaba sujando a areia da praia.

 

No segundo vídeo é mostrada a eficácia do projeto das ex-alunas. A combinação de fibra de coco e as penas de aves se tornam um absorvente natural de petróleo bruto e seus derivados. Após a absorção do petróleo bruto, o material pode ser enviado para usinas, gerar energia, substituir o carvão industrial e outras diversidades pois se torna biomassa e sua retirada do mar é mais fácil que a turfa.

O trabalho foi desenvolvido no último módulo do curso Técnico em Logística Reversa, no segundo semestre de 2015. Tratava-se de um desafio em sala de aula com a fibra do coco, tendo como orientadora a professora Patricia Carbonari Pantojo.

Logística Reversa é a disciplina que tem como característica desenvolver o aproveitamento de materiais sólidos no setor empresarial .

 

Segundo a professora, foram cinco grupos que trabalharam com a fibra. As alunas Aline e Núbia iam trabalhar na área automobilística e, coincidentemente, na semana seguinte foram a uma visita técnica no Porto de São Sebastião, e lá conheceram a Turfa.

Observando a semelhança com a fibra, começaram os testes. “A dupla se destacou porque não desisitiu. O problema é esse: as pessoas desistem! Não é só fazer o trabalho por causa de nota. Logo em seguida, eu já as coloquei junto com o projeto no Inova Paula Souza, que é um braço do Centro Paula Souza destinado para projetos. Após a participação, elas ficaram entre os 15 melhores projetos do Vale do Paraíba”, ressalta a orientadora.

O produto criado pelas alunas também tem a vantagem de destinar corretamente a fibra de coco verde. Em Caraguatatuba, durante a temporada, esse material chega a acumular de duas a quatro toneladas. “Ainda é encontrado em diversas praias onde não acontece a recolha do coco, se tornando habitat propício para o mosquito da dengue que agora transmite outros vírus”, explica Núbia Marques.

As ex-alunas esperam conseguir um patrocinador para financiar a execução do projeto a fim de solucionar impactos no meio ambiente.  “Ele poderá ser destinado para derramamento de óleo, em portos marítimos e fluviais, para empresas privadas que utilizam de alguma forma o petróleo bruto e/ou seus derivados'”, afirma Aline Faustino.

 

PEV que está recebendo de materiais sólidos recicláveis. (Foto: Cristiane Demarchi)

Caraguá lançou na última terça-feira (4/10) o Ponto de Entrega Voluntária – PEV para o recebimento de materiais sólidos recicláveis.  Esta ação faz parte de um Projeto Piloto que tem como principal objetivo fomentar a Coleta Seletiva, disponibilizando um local para que a comunidade possa dar o destino correto aos seus resíduos recicláveis.

O material recolhido no PEV será destinados às Cooperativas de Materiais Recicláveis Maranata e Pegô Recicla que farão a segregação dos materiais. Os dois núcleos já recebem materiais recolhidos do comércio do município de Caraguatatuba.

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O Ponto fica em frente ao CEM. (Fotos: Luis Gava)

O contêiner é de plástico e da cor azul e está na frente da Unidade de Pronto Atendimento – UPA e do Centro de Especialidade Médicas e Odontológica e Reabilitação do CEM-CEO há sete dias para que a comunidade possa dar destino correto ao lixo.  As identificações encontram-se coladas no coletor de materiais, orientando quais os produtos que podem ser depositados.  A campanha tem como finalidade conscientizar o munícipe sobre a importância de colaborar com o meio ambiente.

A turista Clara Oliveira, moradora da Baixada Santista, estava caminhando no local e achou que fosse propaganda empresarial. Ao parar para analisar, pôde perceber que era um coletor de materiais recicláveis. “Na cidade de Santos, onde moro, já existe a coleta seletiva. Para dar certo e ter bons resultados é necessário conscientizar a população primeiro a fim de que não haja gastos desnecessário“, afirmou Clara.

Morador deposita material reciclável no contêiner (Foto: Cristiane Demarchi)
Morador deposita material reciclável no contêiner (Foto: Cristiane Demarchi)

Sabrina Barros, do setor socioambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Caragua, disse que a manutenção será feita uma vez por semana. “Embora o PEV esteja no local há apenas sete dias, moradores no entorno do contêiner estão contribuindo com o projeto. O prazo de teste é de 60 dias”, explicou.

Sabrina disse ainda que o equilíbrio ambiental do Município, deve ser bem executado pois faz com que a cidade possa proporcionar melhor qualidade de vida e um ambiente saudável. “O combate à poluição, à degradação dos ecossistemas e a promoção de atividades de educação ambiental fazem  com que o município possa articular-se com órgãos estaduais, regionais e federais competentes, objetivando a solução de problemas comuns relativos à proteção ambiental”.

 

Segundo o veterinário e especialista em pombos, Eduardo Ribeiro Filleti, São Sebastião por ser uma cidade portuária acaba atraindo as aves para região.

Pombos transitando entre as pessoas na Praia de Maresias. (Fotos: Rafael César)

A ave que simboliza a paz possui outro significado além desse: os pombos quando começam a surgir em cidades e nas praias, como é o caso de Maresias – Costa Sul de São Sebastião – podem ter sido atraídos pelos restos de comidas e sujeira deixados na areia.

Com um ambiente favorável para proliferação, os pombos aparecem cada vez mais no bairro e se tornam motivo de preocupação ambiental e saúde pública para moradores e turistas.

Assim como fezes humanas, de cães e gatos, as fezes das aves podem causar conjuntivites, otites e dermatites caso entre em contato com os olhos, ouvidos e pele, respectivamente. No entanto, são facilmente curadas com tratamento correto.

Segundo o veterinário Eduardo Ribeiro Filleti, o maior problema são as fezes secas, pois podem conter fungos de difícil diagnóstico, causando doenças graves, como Pneumonia, a Histoplasmose e a Criptococos.

O veterinário informa, que para se pegar Toxoplasmose é necessário comer carne mal passada, de uma ave contaminada. Ele diz que a cultura culinária brasileira não tem no cardápio a ave, portanto, pelo menos dessa doença os brasileiros estão imunes.

O  especialista no assunto já realizou pesquisas e estudos em Santos, São Vicente e Guarujá, constatou que Santos tinha 200 mil pombos, em 2012. Segundo ele, a urbanização provocou o sumiço dos predadores de pombos, e com isso, a cadeia ecológica foi quebrada.

“Os dois principais predadores de pombos são o falcão e o gavião. Eles se abrigam nas matas e não nas cidades. São Sebastião cresceu e seus bairros também. Muitos pontos de mata virgem viraram áreas cimentadas. Os motivos da população de pombos crescer são a falta de predadores, o derramamento de grãos, pessoas que os alimentam e os lixos mal condicionados”, explicou Filleti.

Ele conta ainda que os pombos são animais monogâmicos, ou seja, que só cruzam com a mesma fêmea ou macho durante a vida toda, podendo arrumar outros parceiros, ou não, apenas após a morte de um deles.

Segundo o veterinário, mesmo só tendo um parceiro, os pombos se reproduzem várias vezes no ano e a fêmea costuma ter inúmeros ovos de uma vez, isso acaba refletindo na expansão da população da ave. “Com todos esses fatores era inevitável a vinda dessas aves para as cidades praianas”.

Segundo Filleti, para se pegar Toxoplasmose é necessário comer carne mal passada, de uma ave contaminada.
Segundo Filleti, para se pegar Toxoplasmose é necessário comer carne mal passada, de uma ave contaminada.

Para o ambulante Thiago Augusto, 35 anos, as aves são ratos com asas e começaram a aparecer com mais frequência a partir dos últimos cinco anos. O ambulante, que trabalha na entrada 10 da praia, diz que as pessoas costumam deixar restos de comidas na areia e essas sobras atraem os animais.

“O pessoal não costuma alimentá-los, mas eles sempre ficam ciscando próximo das pessoas que estão na praia. Aqui no acesso 10, os pombos não aparecem em grupos grandes, no entanto, da primeira entrada até a sétima o número é enorme. Sempre deixo o espaço onde trabalho limpo para evitar a presença dessas aves”, completou o ambulante, que trabalha há 12 anos na praia.

Na concepção da Mestre em Biologia, Andreia Cristina Barbosa de Oliveira, a sociedade civil e os políticos da região deveriam se conscientizar para controlar a população de pombos em toda São Sebastião.

“A nova gestão falou bastante sobre nossa cidade ser turística e deve se atentar para esse problema que vivemos. Moro em Barequeçaba, sempre vejo pombos ao lado de quiosques, além de existir um ninho deles em cima da minha casa. Os pombos representam sujeira. Quando eles começam a surgir quer dizer que algo está errado”, acrescentou a bióloga.

A bióloga explica que o pombo é uma espécie de ave invasora, pois ela é natural da Europa e veio parar no Brasil através das grandes embarcações que vinham na época da colonização.

Andreia relata que sempre vê pessoas brincando e alimentando os pombos em diversos locais e alerta que campanhas deveriam ser feitas para evitar este tipo de comportamento.

“O pombo é uma espécie cosmopolita, ou seja, ela está em toda parte do mundo, nos quatro continentes. Apesar de ser um animal bonito, os pombos são pragas urbanas e trazem muitos problemas para os humanos. Em Ribeirão Preto (interior do Estado de São Paulo), na Praça da Catedral, a quantidade de pombos era tão grande que atrapalhava a passagem de pessoas no local. A ideia que eles tiveram para controlar o número de pombos foi trazer um gavião”, salientou

Centenas de pegadas de pombos espalhadas pela areia da praia de Maresias.
Centenas de pegadas de pombos espalhadas pela areia da praia de Maresias.

Doença de humanos

O veterinário, Filleti, que também é professor na UNISANTA, realizou pesquisas no período de fevereiro de 2015 até Janeiro de 2016 com pombos de Santos e São Vicente, em 133 pontos diferentes das cidades, e constatou que as aves, pela sua proximidade com os humanos, estão se contaminando com doenças humanas.

De acordo com as novas pesquisas do professor e pesquisador, Santos tem 230 mil pombos e São Vicente 190 mil aves. A pesquisa foi feita com a ajuda dos alunos de Ciências Biológicas, que conseguiram detectar a presença de protozoários e helmintos que não haviam sido encontrados nas excretas dos pombos em pesquisas anteriores, evidenciando que estas aves podem disseminar agentes patógenos ao homem.

Com isso, os pombos podem transmitir novas doenças para os humanos.  Protozoários comuns ao homem também foram encontrados durante as análises, entre eles, o Chilomastix sp; a Giardia sp, muito comum em verduras e frutas mal lavadas, além do Crytosporidium spp.

Também foram detectados helmintos como o Ascaris Lumbricoides, a bactéria causadora da Salmonelose e o nematoide Ancylostoma duodenale, parasita comum em fezes de cães e gatos não vermifugados.

“As pessoas que possuem uma baixa resistência do organismo, caso entre em contato com os pombos e as fezes deles poderão desenvolver essas doenças. A liberação destes organismos no meio ambiente pode contaminar a água, alimentos, praças, cemitérios, jardins e outros espaços públicos e privados, já que os pombos podem liberar este material contaminado sobre grãos, verduras, legumes e frutas armazenadas, disseminando as bactérias”, falou Filleti.

O animal que simboliza a paz e foi usado durante a Segunda e Primeira Guerra Mundial, como um recurso de comunicação alternativo, nos dias de hoje é considerado uma praga. Apesar disso, o veterinário ainda defende as aves.

“Os pombos estão aqui antes de todos nós, não podemos simplesmente matá-los. A solução seria diminuir a fonte de alimentação na área portuária, cuidar melhor do lixo produzido na cidade, fazer pombais alvos, nos quais haveria substituição dos ovos, e dar alimentação com anticoncepcionais, o que poderia reduzir em 53% a reprodução destas aves, sem causar nenhum prejuízo ou sofrimento para elas. As aves são protegidas pelo IBAMA”, alerta o veterinário.

Filleti pretende ampliar seus estudos sobre pombos para mais cidades, como Cubatão, Bertioga e Peruíbe. O pesquisador não descarta a possibilidade de produzir essas pesquisas em São Sebastião algum dia, apesar das dificuldades logísticas.

O lixo é um dos maiores atrativos para a ave que transmite pneumonia.
O lixo é um dos maiores atrativos para a ave que transmite pneumonia.

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