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Nelson de Oliveira

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Jeferson ensina a seus alunos como o esporte pode contribuir na formação do caráter das pessoas.

Exemplo de superação, professor de jiu-jitsu vence vício. Agora, sonha em recuperar outros usuários

Quando o esporte entra na vida de uma pessoa, nada fica igual. A prática esportiva aliada à vontade de vencer é capaz de transformar não somente corpos e mentes, mas também histórias. O esporte é, em outras palavras, poderoso instrumento de superação e integração, que mexe com o interior e exterior dos atletas, fazendo com que eles ultrapassem seus próprios limites.

Tetracampeão Pan-americano

Jeferson Rodrigo Machado é professor de jiu-jitsu. Eleito atleta do ano em 2013, ele conquistou diversos títulos, sagrando-se tricampeão mundial, tetracampeão Pan-americano,  além de conquistar um Sul-americano e um Campeonato Internacional de jiu-jitsu.

Mas nem sempre foi assim. O atleta nasceu em uma família pobre, seu pai era viciado e por isso ele tinha contato diariamente com as drogas. Ainda na sua adolescência entrou no vício, consumindo crack, cocaína e maconha, entre outros entorpecentes.

Aos 18 anos Jeferson foi preso por roubo, e após oito anos de condenação, resolveu mudar. Quando saiu do presídio, conheceu o jiu-jitsu e sua vida começou a se transformar. “O esporte me disciplinava e ensinava a ter respeito pelas pessoas. Sempre fui um homem muito violento e após o treino exaustivo, me sentia muito mais tranquilo”.

Hoje, ele é um campeão porque, além de tantos campeonatos e títulos importantes, também venceu o vício. Há mais de dez anos, o lutador não usa nenhum tipo de entorpecente e quer ajudar outras pessoas a seguirem o seu caminho. Por isso, optou pelo jiu-jitsu para recuperar pessoas dependentes de vícios, usando como ferramenta suas aulas gratuitas para a comunidade.

“Eu era visto como um perdedor, que nunca ia conquistar nada em minha vida, e hoje por causa do esporte, quero ser exemplo para essas pessoas que também buscam a solução para seus problemas”, deseja o professor.

O mestre Jeferson (3º de quimono branco a partir da esq.) inspira alunos com sua história.

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A decoração do salão de cabeleireiro de Rafael deixa claro o amor que ele dedica à música.

A vida de pessoas que não conseguem viver, apenas, do sonho de tocar e cantar nas madrugadas do Litoral.

“Tocar músicas não é cansativo. É prazeroso; me desestressa. É realmente mágico; só aquele momento me importa. A música tem o poder de criar um campo isolador; quando eu sento para tocar, eu não enxergo mais nada, só presto atenção nos músicos e no som que está saindo”. A descrição é de Sandro Fonseca, um músico de Caraguatatuba, que só pode exercer a atividade nas horas vagas, já que precisa trabalhar para sustentar família e filhos.

Os fãs estão acostumados a ver a vida de ostentação que tantos artistas famosos levam, com casas em sítios enormes, carros de luxo e uma lista enorme de shows em todo o mundo.

Mas a vida de quem toca instrumentos em bares, festas, casas de show e quiosques é bem diferente daquela que vivem as celebridades. São artistas com talento notável, verdadeiros cantores, músicos que alegram o público, por exemplo, em uma noite de domingo, mesmo tendo que acordar segunda feira de manhã, colocar a roupa de trabalho e enfrentar a maratona diária de qualquer operário.

Sandro não toca por dinheiro, mas por amor.

Sandro Fonseca trabalha como técnico em transmissão de áudio e vídeo. Na verdade, tem uma empresa onde é patrão e funcionário, contanto apenas com a ajuda de um filho. Autodidata, aprendeu a tocar bateria aos 14 anos, tocando em pagodes e escolas de samba. Sua primeira bateria foi improvisada com um surdo, uma caixa e um repinique amarrados em uma cadeira. Sempre foi apaixonado por música.

 

 

Pela necessidade, Sandro tem que juntar trabalho e a vida de artista. “Se eu vivesse só de música não teria condições de dar tudo que tenho para minha família”

Até hoje Sandro toca em shows como freelancer, na banda Nova Era. Abriu o show de Gabriel Gava, tocou em blocos no Carnaval de 2017 e sonha em trabalhar com música, embora considere difícil considerar com o cotidiano de técnico de áudio e vídeo.

“Já cheguei a trabalhar o dia todo e, exausto ao entrar em casa, arrumei forças para ir tocar. Não é pelo dinheiro, é pelo amor”, declara o baterista.

À esquerda, Rafael Cortez na guitarra.

Sandro não é o único que enfrenta essa maratona diariamente. Rafael Cortez é mais um desses músicos praticamente anônimos que sonham com o estrelato. Ele é cabeleireiro, fez curso no Instituto Embelleze e ganha sua vida cortando cabelo e fazendo barba no salão Estúdio Barbearia. “É trabalhando aqui, mas sonhando lá”. Compositor, ele grava suas próprias músicas e futuramente pretende gravar em estúdio com direito a clip.

 

 

Após tirar seu avental, a tesoura e a navalha ficam de lado para Rafael pegar sua guitarra e o violão e ir cantar nos bares e quiosques da cidade. A guitarra sempre esteve em sua vida, ele ganhou a primeira de seu pai, ainda na infância, e foi pegando gosto. Fez oito anos de curso de violão e guitarra.

Inspirado em Gabriel o Pensador, Maneva, Legião Urbana, entre tantos outros artistas, o guitarrista toca em vários bares da cidade e já participou de diversos festivais da prefeitura, como a Festa do Camarão e a Festa da Tainha. Cantou também na Praça de Eventos, no Encontro de Carros Antigos, e no Mega Caraguá – Encontro Nacional de Motociclistas. Apesar desse currículo, Rafael não entende a falta de público em algumas apresentações “A própria cidade não valoriza, em grandes eventos a praça fica cheia, mas em show local ninguém vai”.

Se pudesse largar o emprego e apenas viver de música, Rafael não exitaria.  “ Imediatamente abraçaria o mundo artístico. Quando eu estou tocando, sinto que faço o que gosto. Porém sei que é só o começo e tenho muito ainda a conquistar”.

 

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