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Bruno Lazaro

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Aos 58 anos, Clóvis dedicou quase toda sua vida à feira

Clóvis carregando seu caminhão com flores no fim da feira. (Foto: Bruno Lázaro)

Feiras livres acontecem praticamente todos os dias em qualquer cidade brasileira, em diversos bairros e quase em todos os dias da semana. Apesar disso, pouco se sabe sobre o lado do trabalhador, do feirante, que acorda antes do sol nascer, para garantir que sua barraca esteja completamente armada logo pela manhã. Mesmo sendo um trabalho árduo e cansativo, a grande maioria dos feirantes considera o trabalho digno e compensador.

Assim pensa Clóvis Domingos, que considera a feira sua vida. O florista de 58 anos veio de família de feirantes e atua no ramo das feiras há 50 anos. Há 20, decidiu vender flores. “Minha vida praticamente começou na feira, não consigo viver sem ela”, disse ele.

Domingos começou na barraca de sua família, aos oito anos. Desde então, apaixonou-se pelo ramo e nunca mais o deixou, trabalhando em outras barracas, como ourives, vendedor de peixe, bijuterias e de confecção. O florista também contou que a renda é satisfatória e suficiente para ele e sua família. “Formei duas das minhas filhas e só não formei a terceira porque ela não quis”.  No tempo vago, o florista atua como comerciante, comprando e vendendo diversas coisas, em especial terrenos e veículos na região do Litoral Norte.

Já Jorge Leonaite, 55, possui uma história diferente da de Clóvis. Leonaite trabalhava em um banco, mas passou a ficar insatisfeito com o stress e com a rotina que levava, e saiu por conta própria do emprego anterior para então, por necessidade, começar sua vida como feirante junto de sua família. “No começo eu não gostava, mas com o tempo aprendi a amar o que faço”, contou. O feirante apontou como principal vantagem de atuar em sua profissão o fato de que não se fica desempregado, mas a pequena desvantagem é ter que trabalhar de domingo a domingo, muitas vezes sem intervalo. “Apesar disso, tudo que tenho veio da feira. Gosto do que faço”.

Felipe Rodrigues reorganizando seus produtos nas bancadas de sua barraca (Foto: Bruno Lázaro)

Outros feirantes herdam as barracas de suas famílias e as levam adiante, como Felipe Rodrigues, 23, que assumiu a barraca de sua mãe após ela decidir sair da feira depois de dez anos no ramo para atuar como contadora. Segundo Rodrigues, sua mãe começou a trabalhar na feira por necessidade de um emprego e sustento para sua família e desde então, tudo que conquistaram veio da feira. “Ela começou com um carro velho, depois conseguiu comprar uma kombi e depois um caminhão”.

Rodrigues também contou como funciona o reaproveitamento de alimentos de sua barraca. “Na feira se trabalha com muito material e é difícil vender tudo. Por isso, abaixa-se os preços dos produtos e os vendemos em bacias, mas há descarte quando o produto perde sua qualidade”.  Apesar de gostar, Rodrigues disse que há a possibilidade de mudar de ramo para trabalhar em uma transportadora.

Em sua grande maioria, os feirantes gostam do que fazem e dificilmente se vêem fora da feira. Não pretendem parar suas atividades como feirantes, como Clóvis e Jorge, mas há casos isolados em que o feirante estuda a possibilidade de sair da feira atrás de novas oportunidades, como Felipe e sua família, que apesar de gostarem da feira e não se enxergarem em outro emprego, pretendem deixar o ramo das feiras para seguir em outras áreas.

Processo periódico tem como objetivo evitar alagamentos e enchentes em todas as regiões da cidade

Escavadeira em trabalho de limpeza no rio da Paca (Foto: Márcia de Paula/PMC)

No mês de abril, a prefeitura de Caraguatatuba conduziu operações de limpeza e desassoreamento de valas e rios, para evitar que áreas de risco sofram com alagamentos em enchentes durante épocas chuvosas e também para evitar que ressacas tenham efeito negativo sob a cidade.

De acordo com o Diretor de Limpeza Urbana da Secretaria de Serviços Públicos (Sesep), Gilberto Santos, as operações de limpeza de valas e rios são um trabalho contínuo e cíclico, feito periodicamente e intensificado em períodos chuvosos, principalmente por volta de março e setembro. Santos ainda afirmou que não há uma área de foco na operação em seu todo, pois a cada período há uma região que demanda mais atenção do que as demais. Ele estimou cerca de 12 a 15 valas e rios que são atendidos pelas operações da Sesep.

Segundo ele, os principais processos adotados para que a operação tenha sucesso são os de limpeza, desassoreamento e aprofundamento do leito, mas também há a utilização de outros métodos, como o de contenção de margens, variando de acordo com o que a região necessita. “É um trabalho muito importante para a cidade e essencial para evitar alagamentos e enchentes nos bairros”, disse ele.

O diretor também contou que os processos serão refeitos por volta do mês de setembro, visando um menor impacto por parte das chuvas que podem vir. “Vivemos em uma região que chove muito em pouco tempo. Precisamos estar preparados”, concluiu.

Há 21 anos, Maria Apparecida Waack frequenta as aulas do curso

Dona Cida (na primeira fileira ao centro) em uma das palestras na Universidade Aberta (Foto: Bruno Lázaro)

Quando se vê uma figura feminina de média estatura, cabelos brancos e idade avançada, é difícil imaginar que ela pode fazer parte da Universidade Aberta, um curso livre gerenciado pelo Centro Universitário Módulo para pessoas acima dos cinquenta anos, que visa a reintegração social, política e cultural.

É o caso de Maria Apparecida Waack, 90, conhecida como Dona Cida, a aluna mais idosa da classe e também a que está lá há mais tempo, totalizando 21 anos desde o início do curso livre,  em 1996, quando ainda nem mesmo era gerenciado pelo Centro Universitário Módulo.

Natural da cidade de São Paulo, Dona Cida formou-se na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde frequentou o curso de correspondente e logo conseguiu seu primeiro emprego na área. Algum tempo depois, Dona Cida começou a trabalhar com o então candidato à prefeito da cidade de São Bernardo do Campo, Lauro Gomes, como sua secretária, e o acompanhou até o fim de sua vida.

Em 1992, devido às condições de saúde de sua mãe, Dona Cida tomou a decisão de se mudar para a cidade de Caraguatatuba, visando uma vida mais calma. “Em Caraguá, atuei como Secretária da Condição Feminina de Caraguá e Presidente do Conselho do Idoso”, conta.

Após poucos anos morando na Cidade, já com cerca de 60 anos, Dona Cida ingressou na Universidade Aberta por curiosidade e então “mudou sua vida”, como a própria aluna declara. Para ela, o ingresso na Universidade Aberta expandiu seus horizontes, pois o curso abordou assuntos que não faziam parte do seu dia a dia ou nem mesmo tinha conhecimento, mas o que mais a incentiva a continuar é o fato da valorização da terceira idade. “A Universidade Aberta dá a chance de reaproveitar sua vida, dando mais sentido à ela”, disse a aluna.

Alunas da Universidade Aberta durante palestra (Foto: Bruno Lázaro)

Segundo a coordenadora do curso, a professora Divina Fátima dos Santos, o grande objetivo da Universidade Aberta é justamente valorizar a terceira idade, reciclar a convivência em sociedade dos alunos e atualizá-los em diversos temas, sejam eles políticos, sociais ou culturais. A Universidade Aberta tem aulas às terças e quintas das 14h30 às 16h30.  Nas terças, os alunos têm aula de arte contemporânea, já nas quintas o conteúdo é variado, desde palestras até dinâmicas.

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